DOMINGO V DA QUARESMA
L 1 Jer 31, 31-34; Sal 50 (51), 3-4. 12-13. 14-15
L 2 Hebr 5, 7-9
Ev Jo 12, 20-33
Estamos em caminhada para a Páscoa, com mais um passo neste Domingo.
Somos enquadrados neste domingo pela profecia de Jeremias, que é um anúncio de uma nova aliança que Deus havia de fazer com o seu Povo. Nas anteriores, Deus fez aliança mediante vários sinais exteriores - o arco-íris com Noé, os animais divididos ao meio com Abraão, as tábuas da lei com Moisés. Agora a aliança será feita no coração do homem, ou seja a partir da sua inteligência, local onde se encerra o sentido mais profundo das decisões de cada um.
Deus quer fazer aliança com cada homem, desde o mais profundo das moções interiores, não apenas para um cumprimento exterior da lei, mas sobretudo, para uma comunhão de vida real para com Deus. Ou seja, Deus fará aliança a partir da identidade de cada um, na qual se haveria de revelar como Pai.
É em Jesus que esta aliança acontece. Os gregos que surgem para ver Jesus, vêm à procura de conhecer a identidade do Mestre. Sempre de salientar o percurso destes que passam por Filipe, por André para chegar a Jesus, sinal que indica a mediação que a Igreja tem missão de ser para os homens de hoje.
Jesus revela-se a estes homens, não pela descrição da sua personalidade, mas mediante a relação com Deus e a sua missão. Assim vemos como Jesus se apresenta, apontando para momento em que a Hora chegará, que na cruz revelará a Sua glória, como o sinal exterior que abrirá a nova aliança pelo seu sangue derramado. É a vida de Jesus que agora serve de sinal e chave para abrir os corações empedernidos, a qual há-de de atrair todos a si. Esta Hora é por isso cheia de desejo de acontecer, como sinal do amor de Deus, ainda que lutando com a divisão interior do possível medo do sofrimento ou até mesmo da indiferença dos homens.
Em qualquer caso, Jesus apresenta-se como aquele que vem inaugurar a nova aliança, a qual constitui e revela aos homens a sua vocação: a de se poderem tornar filhos de Deus, ou seja, homens e mulheres em cuja existência reconhecem o amor do Pai, nele confiam apesar de todas as limitações e, mesmo no meio de muitas dificuldades, procuram discernir a vontade de Deus para a sua vida e daqueles que o rodeiam.
S. João da Cruz, na sua experiência mística, viu a cruz de Cristo, não a partir da imagem de frente, mas segundo a perspetiva do Pai, na qual o Filho está entre o Céu e a terra como Verdadeiro mediador e sacerdote. Por esta cruz, todos nós podemos estar em comunhão com Deus.

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