Saturday, 19 June 2021

A paz de Cristo




DOMINGO XII DO TEMPO COMUM


L 1 Job 38, 1. 8-11; Sal 106 (107), 23-24. 25-26. 28-29. 30-31
L2 2 Cor 5, 14-17
Ev Mc 4, 35-41

As leituras deste domingo fazem-nos entrar, pela mão do livro de Job, num ambiente de adoração. Diante das dificuldades que Job atravessa, o Senhor Deus convida-o a reconhecer o que o rodeia como obra da criação - no caso da liturgia deste domingo, a olhar o mar, na sua imensidão e limites. Como precisamos de nos meio das dificuldades que alguém nos convide a espraiar o olhar e o coração!

O Evangelho pode ser um belo percurso para entrar na confiança e adoração, tal é a corrente de elementos gráficos que saltam à nossa vista:

  • Mar - Na Sagrada Escritura o mar é o lugar do sustento do Povo, donde se tira muito que é necessário à nossa subsistência; todavia é também o lugar do mistério, onde a fragilidade humana salta à vista, onde o homem, diante das dificuldades, mais se sente limitado. É também o caminho que os discípulos percorrem com Cristo para passar à outra margem, quase como sinal de que nas mudanças na vida, encontramos dificuldades. 

  • Barca - É na Tradição da Igreja, sinal da Igreja. É um lugar da intimidade de Jesus com os discípulos; é também sinal da Igreja, que no meio das tormentas do mundo, encaminha a humanidade no caminho da salvação, pela palavra e pelos sacramentos. Apesar de frágil de aparência, quando guarda a presença de Cristo, pode percorrer as tempestades sem se afundar. 

  • Almofada - É o sinal da paz que o Senhor quer trazer à aflição dos discípulos. Mostra o sono tranquilo do mestre, que mesmo no meio das tribulações, Cristo permanece connosco. Ainda que ondas e a tempestade façam tremer a nossa barca, seja pela nossa fragilidade, seja pelas dificuldades, Cristo pode ser sempre o nosso timoneiro.

  • Palavra - A palavra de Deus é sempre criadora. Cristo fala às nossas tempestades, com a sua palavra para nos guiar. Não se trata apenas de discernir o que é bem ou mal, mas quer sobretudo que esta Palavra nos leve à Fé, a confiar e aderir à sua vida. Esta palavra precisa de entrar na nossa vida, de nos renovar interiormente, de nos ajudar a encontrar que a nossa vida nunca está isoladamente entregue às tempestades, mas ao Senhor Jesus.  
No final - e início - de tudo está sempre a misericórdia de Deus, como nos canta o salmo 106 (107). Nela descobrimos que para além de todas as nossas capacidades, conhecimentos, o amor de Deus nos ultrapassa, suporta e impele a ir sem medo. Caminharmos para aqui precisamos de um coração que de facto adore o Senhor, que reconheça com a vida o dom que a cada um é confiado. 

1 comment:

  1. Obrigada Padre João aprecio demais, tudo o que posta sobre cada Domingo. É muito útil, para quem segue a Liturgia. Muito obrigada. Ainda para além de apreciar, também posto, para algum dos meus amigos,que não faz parte da sua lista, ler. Abraço

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