Friday, 9 July 2021

Enviados como Jesus




DOMINGO XV DO TEMPO COMUM


L 1 Amós 7, 12-15; Sal 84 (85), 9ab-10. 11-12. 13-14
L2 Ef 1, 3-14 ou Ef 1, 3-10
Ev Mc 6, 7-13 

Ao longo da Sagrada Escritura sempre se dá a entender que a Palavra de Deus não pode ser acorrentada, a qual é fonte de vida e tudo é criado por esta. É ao serviço da Palavra que são enviados os profetas ao Povo, não apenas para denunciar, mas pela Palavra serem sinais da fidelidade de Deus que ama o Povo, ainda que estes sejam tantas vezes rejeitados pelo Povo. 

Amós é um profeta enviado por Deus ao Povo de Israel numa sociedade desigual, marcada pela exploração e fraude dos mais frágeis, confiante da sua pujança material. Amós é chamado por Deus, "arrancado" da sua vida de agricultor, para ser sinal de contradição entre o Povo. O seu anúncio pertinente vem lembrar que uma sociedade que se esquece de Deus, facilmente esquece a solidariedade e fica a viver para si, para o seu bem-estar e luxos. Contudo a sua mensagem, que prevê a queda desta sociedade, está também revestida de uma profunda esperança na comunhão com Deus. 

O Evangelho retoma a dinâmica do anúncio com notas fundamentais para a vida da Igreja de hoje. Jesus envia os apóstolos dois a dois, que servem de testemunhas da salvação e da condenação em caso de rejeição. É-lhes o poder de expulsar demónios, algo que só Jesus o fazia, para além da missão de pregar e  curar. Devem ir com leveza de meios, próprios para poder caminhar sem que estes pesem no caminho, na simplicidade, mas também como sinais de que a sua missão, não depende da sua eloquência, mas do Espírito Santo que o guia. Mais despojados, a sua vida é sinal mais claro de Jesus Cristo. 

A Igreja tem a missão de continuar este envio de Jesus sem se escusar a nenhum destes caminhos: o combate e denúncia do mal, a pregação e a cura mediante os sacramentos. No coração desta vida está a caridade de Cristo que impele todos aqueles que o Senhor chama. A tentação de querer ver o sucesso da missão pelas próprias forças é uma constante e aprisiona os seus anunciadores. Hoje, como no tempo de Jesus, o grande sucesso do anúncio é a conversão dos corações ao anúncio do amor de Deus e a adesão a Jesus Cristo, morto e ressuscitado e a vitória sobre o mal. E esta só pode acontecer mediante a misericórdia de Deus testemunhada nas nossas vidas e em especial no seus ministros. 

Estes textos têm também um forte carácter vocacional. Lembram-nos que embora todos sejamos chamados a ser curados e acreditar em Jesus Cristo, desde sempre existiram homens chamados por Deus para serem sinais de anúncio e testemunho para todos que Deus quer continuar a realizar maravilhas no coração da humanidade de hoje. O cuidado das vocações, e neste caso as sacerdotais, cujas vidas são chamadas a reproduzir os gestos de cura de Jesus é central na vida da Igreja e necessita da ajuda de todos para que nunca faltem na Igreja homens que dêem, como Cristo, a sua vida pelo Povo de Deus. 

1 comment:

  1. Obrigada Padre João. Vou partilhar, como sempre. Bonita e interessante reflexão. Abraço

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