DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM
L 1 Sab 2, 12. 17-20; Sal 53 (54), 3-4. 5. 6 e 8
L2 Tg 3, 16 – 4, 3
Ev Mc 9, 30-37
As leituras deste Domingo colocam diante de nós um dos anúncios do mistério pascal de Jesus Cristo e na forma como nós somos nele inserido. Neste caso, Jesus atravessa a Galileia e anuncia aos discípulos com toda a clareza que vai morto e que ressuscitará; todavia, os discípulos não compreendem e por medo não tentar compreender. O motivo para não tentar fazer é explicitado posteriormente: discutiam entre si qual era o maior.
É claro que a lógica dos discípulos e do mestre é diametralmente oposta; enquanto Jesus fala de dar a vida, os discípulos querem ganhar e dominar a vida. Um dos aspectos mais singulares neste diálogo traduz a própria consciência que estes têm de estar longe dos planos do mestre. Por isso se refugiam no silêncio, que longe ser espaço de escuta, é porta de ferro blindada à relação com Deus e de defesa para com os irmãos. O nosso coração, criado por Deus, conhece a verdade profunda a que é chamado, embora tantas vezes não consiga responder. Só o amor, e do modo singular o amor de Deus, pode limpar e desarmar o coração de cada um para acolher a criança indefesa e vulnerável que somos chamados a nos transformar.
A carta de São Tiago é bastante oportuna neste contexto; Tiago lê a realidade do coração dos crentes, que transparece da relação da comunidade: estes são motivados pela inveja e não pela sabedoria. É bastante oportuna esta dicotomia: a inveja, partindo da comparação com o outro, leva a querer ser mais que os outros; a sabedoria, partindo da observação dos outros, leva a querer servir o outro.
Estes textos são bastante singulares para a nossa vida como cristãos e como comunidades: a fé é sustentada antes de mais no amor de Deus, que se entrega nas nossas mãos; antes do compromisso e ética cristãs, está o amor gratuito e total; só este abre o nosso coração; é depois este que descobre a verdade profunda que nos habita e nos faz caminhar na entrega de vida.

No comments:
Post a Comment