Saturday, 11 September 2021

O que não se partilha, perde-se




DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM


L 1 Is 50, 5-9a; Sal 114 (115), 1-2. 3-4. 5-6. 8-9
L2 Tg 2, 14-18
Ev Mc 8, 27-35 

Os textos que nos são dados a ouvir neste Domingo XXIV do Tempo Comum colocam diante de nós a pergunta de Cristo aos discípulos sobre o modo como o vêem. O texto evangélico é enquadrado pela leitura de Isaías, do terceiro texto do servo sofredor, em que o próprio testemunha que no meio da provação e do sofrimento causado, este professa a fidelidade de Deus como amparo e força da sua vida. 

Jesus Cristo, pondo-se a caminho de Cesareia de Filipe, cidade em que abundavam os cultos ao imperador, ao Deus Pã, símbolos do poder e força humana, interroga os seus discípulos sobre o que diziam "os homens" quem ele. Sem o privar com Jesus, as multidões vêem nele alguma analogia com figuras relevantes da história da salvação. Mas é na relação próxima que as pessoas se conhecem para além dos lugares comuns de trabalho e actos visíveis. E daí a necessidade da pergunta aos discípulos sobre a identidade de Jesus: "Quem dizeis que Eu sou?"

A pergunta pela identidade percebida pelos discípulos é respondida acertadamente apenas na letra: "É o Messias". Pedro acredita que Jesus haveria de reproduzir o comportamento do primeiro Messias, o Rei David, que conquistou Jerusalém. Mas a identidade de Jesus é outra: assumir a missão de servo sofredor, que expia a multidão dos pecados da humanidade para nos fazer viver como Filhos de Deus. Mais do que o Deus da força, Jesus revela Deus como amor, serviço, negação de si e entrega como caminho essencial de vida. 

É este chamamento que é feito a cada um de nós; é isto que celebramos em cada eucaristia no dom entregue de Cristo. Só a vida que se entrega gera vida, pois o que não se partilha, perde-se. É a diferença de ter um coração de carne ou de pedra. 



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