DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM
L 1 Is 35, 4-7a; Sal 145 (146), 7. 8-9a. 9bc-10
L2 Tg 2, 1-5
Ev Mc 7, 31-37
As leituras de hoje colocam diante de nós uma mensagem de esperança, em que Deus actua no meio de exilados e estrangeiros, daqueles que estão fora. A primeira leitura anuncia que Deus irá actuar nos que regressam do exílio da Babilónia – exílio que durou 70 anos. No evangelho, Jesus Cristo age com especial dedicação no homem surdo‑mudo – afasta-se com ele, toca-o nos ouvidos e na língua; este homem é um estrangeiro, que não faz parte do Povo hebreu, sinal de que o amor de Deus não se restringe em fronteiras humanas.
De forma bem diferente, Jesus Cristo revela que a humanidade tem desejo do Pai, da fonte do amor que Ele vem comunicar; de facto, não conhecer a Deus significa desconhecer a meta da nossa vida. Como conclui o Evangelho de hoje, aquele que reconhece em Jesus o caminho para o Pai, também descobre que tudo o que Ele faz é admirável, apontando-nos para uma nova criação, uma nova vida. Em Jesus Cristo, já não se criam os céus, a terra, o sol, a lua, mas uma nova forma de viver, com capacidade diferente de escutar e de falar, de pensar e de amar.
Estes textos colocam diante de nós a oportunidade de nos perguntarmos que imagem temos de Deus, ao vermos a Sua a imagem em Jesus Cristo. Fazermos esta pergunta não é apenas uma questão mais ou menos "piedosa", mas perguntar que meta tem a nossa vida. Em Jesus Cristo, Deus revela-se como Mistério de amor, entrega de si, perdão, verdade que orienta a vida e acolhimento de todos. Nós somos chamados a ser reflexos deste amor: a viver como filhos no Filho de Deus, a deixar a nossa vida ser presença de tudo o que descobrimos em Deus. Isto traduz-se em capacidade de fraternidade e acolhimento de todos os que são diferentes, e sobretudo com os mais necessitados, como nos recordava São Tiago.
Daqui brota a catolicidade da Igreja, ou seja uma Igreja Universal, a que todos são chamados. Isto traduz-se na missão da Igreja de testemunhar o amor de Deus a toda a criatura. Se olharmos para a multidão daqueles que procuram Jesus, vemos que são eles que trazem o surdo-mudo que o guiam até este encontro. Somos nós que somos chamados a ser entre nós e para os outros sinal de Deus.
Precisamos de redescobrir a alegria da fé, própria de quem encontrou Jesus Cristo e sabe que a vida não é sua, mas dom de Deus e por isso a ele pertence. Esse sabe qual é a sua identidade está no Reino dos Céus, a qual a transmite e isso faz-nos ser “sal da terra e luz do mundo”. Quando assim acontece, o medo perante aqueles que são diferentes perde força, por reconhecer neles o irmão exilado. Descobrimos em nós uma capacidade de acolhimento maior e de superação da indiferença.
Confiar em Deus torna possível que volte a acontecer em nós o “Effetha”, o “abre-te” de Jesus, agora com uma disponibilidade para a acolher a voz de Deus que nos desinstala dos nossos ouvidos duros e nos coloca ao serviço do outro. Não tenhamos medo de ser cristãos num mundo que precisa da nossa voz e da nossa disponibilidade.

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