DOMINGO VI DO TEMPO COMUM
L 1 Sir 15, 16-21 (15-20); Sl 118 (119), 1-2. 4-5. 17-18. 33-34
L 2 1Cor 2, 6-10
Ev Mt 5, 17-37 ou Mt 5, 20-22a. 27-28. 33-34a. 37
A liturgia da palavra deste Domingo coloca diante de nós um renovado caminho de fidelidade, mediante as palavras exigentes de Jesus. O livro da sabedoria apresenta em primeiro lugar a vontade como dinamismo fundamental para responder com largueza de horizontes ao dom da criação que Deus nos confia, para percorrer a vida com gratidão e entrega pelo bem. De facto, o pecado, de tudo o que atrofia a dignidade humana, é caminho estranho a Deus, ao passo que a sabedoria de Cristo, a do amor, permite-nos participar da vida íntima de Deus, como recorda S. Paulo.
É em nome da libertação que Jesus, no Sermão da Montanha, e em tipologia de novo Moisés, apresenta a importância da Lei como memória de uma libertação, dando-lhe também um novo domínio, onde também se inclui o coração e não apenas um cumprimento exterior.
A vida de Jesus é um testemunho que revela mais claramente o rosto do Pai, de forma a nos fazer viver como filhos de Deus. Por isso, o Deus de Jesus é o mesmo do Antigo Testamento, agora apresentado sem as contingências de uma história nacional israelita, mas sobretudo na chave da relação filial. Entre esta missão está a apresentação de um estilo de vida muito mais libertador e radical.
É pertinente a associação que Jesus faz entre prática e ensino dos preceitos que Ele agora renova. Aqui Jesus faz a ligação entre as escolhas que fazemos e a forma como as transmitimos, claro que sem esquecer que as nossas obras também falam! Mas a palavra também é importante, num tempo que carece de uma nova evangelização, de voltar a falar das realidades mais simples da nossa fé, como nos recorda o Papa Francisco: Deus ama-te, Deus salva-te, Ele está vivo e dá-te o teu Espírito, (cf. Francisco, Cristo Vive, capítulo 4).
Os três exemplos que Jesus apresenta no evangelho, de purificação do nosso olhar da Lei, dirigem-se a três tipos de relação na nossa vida: fraterna, conjugal e social, ensinando-nos que o princípio da moralidade está no nosso coração, seja no reconhecimento do bem que é o meu próximo e que é merecedor do meu respeito, compreensão e paciência; seja no domínio da vida afectiva, em que a pessoa humana nunca se pode tornar apenas objecto de desejo, mas merecedora de todo o amor e delicadeza; e que por fim, a nossa relação com todos deve ser assente numa linguagem clara, sem recorrer a subterfúgios de palavras, ou agressões mediante meias palavras ou silêncios estranhos.
O caminho radical é, volto a dizer, de libertação. Todos somos chamados a percorre-lo, e embora possam existir quedas, nunca desistamos de empenhar o nosso coração para uma correspondência ao amor divino.

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