DOMINGO V DO TEMPO COMUM
L 1 Is 58, 7-10; Sl 111 (112), 4-5. 6-7. 8a e 9
L 2 1Cor 2, 1-5
Ev Mt 5, 13-16
Continuamos neste Domingo no quinto capítulo do Evangelho segundo São Mateus, com o discurso da montanha. O Evangelho, na sequência dos caminhos de felicidade, Jesus anuncia uma síntese mediante duas imagens do dia-a-dia, o sal e a luz.
Sabemos que o sal no mundo antigo não era apenas usado para evidenciar o sabor dos alimentos, mas antes de mais, um meio pelo qual se conservavam os alimentos, num tempo desconhecedor dos meios que hoje temos. A singularidade da imagem de Jesus que hoje nos apresenta sobre o sal sublinha a necessidade deste manter a sua força, ou seja, a não ser contaminado por elementos estranhos, que façam baixar o seu grau de pureza.
Semelhante imagem é apresentada por Jesus relativamente à luz, que para se expandir e iluminar não podem haver obstáculos no seu caminho.
Estas duas imagens que remetem para o espírito da vivência das bem-aventuranças que nos convocam, como discípulos de Jesus, para não nos deixarmos esvaziar da sua graça, não somente numa perspectiva de ausência de falhas morais, embora isto seja importante para a alma não ficar entorpecida, mas sobretudo em manter viva a abertura para agir e cuidar dos outros, numa lógica que supera claramente o conformismo e indiferença diante dos nossos semelhantes. Lembremos como as bem-aventuranças tinham no centro a misericórdia, precedidas pela abertura do coração e seguidas da capacidade de agir pelo outro.
Reparemos como o profeta Isaías apresenta que a acção pelos outros, a pacificação e a misericórdia vividas têm em si uma força que cura a alma do que entorpece.
Este é o grande poder que Deus nos dá: o de agirmos como Ele age pelos outros e que nos aproxima da fonte da vida e nos torna corresponsáveis uns pelos outros. Dizia Cumberland: «Mais vale gastar-se que enferrujar-se»! Que a nossa vida também viva nesta lógica.

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