DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM
L 1 Ml 1, 14b – 2, 2b. 8-10; Sl 130 (131), 1. 2. 3
L 2 1Ts 2, 7b-9. 13
Ev Mt 23, 1-12
A liturgia da palavra do próximo domingo coloca diante de nós a denúncia do profeta Malaquias, o último livro do canon do Antigo Testamento, pelos sacerdotes do Templo Antigo terem deixado de anunciar a Palavra de Deus e fazerem sua correta interpretação, tendo levado tantos a tropeçar e por agirem por acepção de pessoas. Este texto bíblico mostra-nos a importância dos líderes na vida da Igreja, missão para a qual todos somos chamados, e que nos remete para a responsabilidade do cuidado daqueles que são mais frágeis e de apoiar os que mais precisam, como missão que assenta no Pai, que governa toda a criação.
É precisamente a missão de ensino que Jesus explora nas elites judaicas do seu tempo. Ele denuncia os que ocupam o lugar da cadeira de Moisés, lugar de destaque na sinagoga de onde o mestre religioso interpreta a Lei para os seus contemporâneos. Mas Jesus neste trecho explora a forma como é feita a interpretação e associa de forma clara a vida do interpretador com as suas palavras. São duas as críticas: hipocrisia - dizem e não fazem - e a vaidade - fazem para serem vistos.
Neste sentido, Jesus recusa os títulos habituais dados a estes homens: mestres, pais e doutores, e remete para a fonte, para Deus. Do mesmo modo, também insere como qualidades indispensáveis para o anunciador o serviço e a humildade. Servir o Povo pela partilha da Palavra, colocando-se primeiro como seu ouvinte e sem se fechar em esquemas habituais e humildade, virtude indispensável para quem quer continuar sempre a aprender e a ser discípulo.
As palavras de Jesus são de uma força extrema e orientam a nossa vida para olhar para Ele, pois só Ele é a chave de interpretação da escritura, como servo humilde e todo entregue por nós.
Esta mesma nota verificamos em S. Paulo. O apóstolo de Tarso associa a missão do anunciador ao cuidado de acalentar, ou seja embalar com carinho, cuidado e canto, o povo que tem á frente. Por isso, qualquer anunciador da Palavra de Deus tem de se envolver inteiramente no que faz; baixar a fasquia será aproximar-se de ser "vendedor de banha da cobra".

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