Saturday, 18 November 2023

Temer a Deus sem medo mas com amor




DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM


L 1 Pr 31, 10-13. 19-20. 30-31; Sl 127 (128), 1-2. 3. 4-5
L 2 1Ts 5, 1-6
Ev Mt 25, 14-30 ou Mt 25, 14-15. 19-21

À medida que nos aproximamos do final do ano litúrgico vai-se sublinhando cada vez mais a dimensão que nos aponta para a forma como vivemos o tempo que nos é dado. É neste sentido que o evangelho nos volta a colocar diante um episódio de espera, agora não do noivo, mas de um senhor. 

Notemos que o evangelho nos coloca diante de três pessoas, às quais é confiada uma quantidade imensa de metal precioso, ora cinco, ora três, ora um talento, sendo que cada talento corresponde a cerca de 60 kg. Como tal, podemos fazer a leitura das capacidades pessoais que nos são dadas, mas tenhamos presente primeiro toda a dimensão de dom que este "senhor" faz a cada servo. De facto, o primeiro e maior dom que Deus dá é a vida a cada um, com mais ou menos dias, mas sempre chamando todos a se viverem uma vida plena. 

Na raiz de tudo está a imagem que se tem de Deus, recebida na educação desde os primeiros anos e construída nos caminhos que a nossa vida percorre e nutrida no dom do Espírito Santo. É ela que sustenta os primeiros a tomarem os riscos necessários, a saberem alargar o espaço das suas tendas e aumentar os dons que os habitam para se expandirem mais. Já o último, foi o medo e não a escassez, que o inibiu a arriscar, por achar que o senhor era um homem severo, rude, ou até agressivo (grego=skleros), algo muito distante da imagem inicial do homem que entrega e confia para se multiplicar. De facto, na missão podemos partilhar oportunidades e capacidades, mas cada um vive sempre a sua vida e é responsável pelo que escolhe.  

A nossa vida é por isso um grande dom de Deus, mas também é o caminho que percorremos e decidimos. Não deixa por isso de ser interessante notar as qualidades que lemos nas primeiras duas leituras, onde identificamos na figura feminina o cuidado dos que nos rodeiam, a prudência de procurar escolher o melhor, a capacidade de iniciativa e não ficar estagnado, o estar atento ao mundo que nos rodeia e a sobriedade, como dimensão essencial para não se deixar carregar, nas costas e no coração, com aquilo que atrasa a realização do bem. Que possamos temer a Deus, não com medo, mas com o desejo de não deixar de fazer o bem que está ao nosso alcance. 

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