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DOMINGO VI DO TEMPO COMUM
L 1 Lev 13, 1-2. 44-46; Sal 31 (32), 1-2. 5. 7 e 11
L 2 1 Cor 10, 31– 11, 1
Ev Mc 1, 40-45
A liturgia da palavra deste Domingo coloca diante de nós o modo como os judeus lidavam antigamente com as questões da lepra na comunidade. Com efeito, os doentes deveriam ser afastados da comunidade e convívio social de modo a prevenir o risco de contacto, devendo assumir uma forma de vestir que os revelasse como pessoas doentes. Assim, a lepra levava à exclusão. Percebendo a pragmaticidade da decisão, compreendemos também o sofrimento acrescido que gerava nos doentes, quando a nossa humanidade é chamada a viver em comunhão.
Este contexto permite-nos vislumbrar a ousadia da fé e confiança do leproso que se aproxima de Jesus. Sabemos bem que na Escritura a lepra é frequente usada como analogia do pecado que vai endurecendo o coração humano e o anestesia na capacidade de amar e de se deixar amar. Por isso, o gesto do leproso tem qualquer coisa que sinaliza a dignidade humana profunda que habita cada um de nós, como expressão de um desejo que supera as barreiras que são colocadas. É diante deste assombro de confiança que Jesus fica compadecido. Bem diz o Papa Francisco: «Deus não se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir perdão».
É desta experiência profunda de fé e de graça e misericórdia que brota a capacidade de anúncio. Na gratidão de ter sido tocado por Deus, num dom que ultrapassa o estado moral de cada um, que nos abre para viver para o serviço do outro. Também origina que aquele homem possa voltar à comunidade humana e cumprir a sua dignidade.
Paulo também fez esta experiência. Tocado por Jesus ressuscitado, também ele vive para a dádiva de si. Como é importante saber reconhecer a dignidade do outro é sempre fundamental, e que a bênção de Deus toca a nossa vida para a elevar e a reconduzir ao dom da comunhão. Pode ser necessária conversão de vida, mas a vida será sempre abençoada por Deus e o amor, ainda que frágil, cuidado para se crescer na capacidade de vivificar.
[PS. O estilo de Jesus, de se deixar fazer próximo dos que sofrem, vai marcar a Igreja nascente. Rodney Stark, no livro The Triumph of Christianity, defende que o motivo pelo qual o cristianismo se afirmou como a religião de Roma, foi pela caridade dos cristãos. No tempo em que Roma foi assolada pela peste durante o reinado de Marco Aurélio, os cristãos permaneceram na cidade a cuidar dos doentes, animados pela fé, enquanto os pagãos fugiam para fora. A verdade é que muitos cristãos acabaram por morrer contagiados, mas a mortalidade total estima-se ter sido diminuída em dois terços. (cf. Rodney Stark, The Triumph of Christianity: How the Jesus Movement Became the World’s Largest Religion (New York: HarperOne, 2011), 114-119.)].

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