DOMINGO I DA QUARESMA
L 1 Gn 9, 8-15; Sl 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9
L 2 1Pd 3, 18-22
Ev Mc 1, 12-15
Entramos em quaresma, em caminhada de quarenta dias rumo à Páscoa. Quaresma é sempre o tempo do essencial, de nos libertarmos de tudo o que pesa no nosso coração, do que está desordenado na nossa vida, para passar a ser vivido na lógica de Deus, do dom de si. É tempo de passagem, como o é o de deserto. Assim vemos Jesus a ir para o deserto durante quarenta dias, em sinal de um Deus que assume a vida do seu povo, que percorreu 40 anos no deserto até chegar à terra prometida. Mas ele não repete o comportamento do povo.
No deserto de Jesus, muito embora ele seja tentado, prevalece a harmonia e o serviço. É esta harmonia que se inaugura na humanidade de Jesus que nos é oferecida, embora tantas vezes dificilmente aceite por nós.
O episódio do dilúvio e a aliança feita com Noé não é apenas algo feito com a humanidade, mas como refere o texto, é feita com toda a criação, a qual é chamada a se tornar lugar de harmonia e de vida. São Pedro retoma o episódio do dilúvio, para o ler de forma alegórica, na vida cristã, na qual entramos pelo batismo.
Desde os primeiros tempos da vida da Igreja, a quaresma era especialmente dedicada à preparação dos adultos que iam ser batizados. Ser baptizado é ser inserido no mistério de Cristo, da sua morte e ressurreição. É este dom, a que chamamos "vida nova", que nos orienta para a vida vivida em harmonia.
Nesta harmonia, que nasce do batismo, a humanidade é chamada a louvar a Deus com a sua existência, exercendo a sua vocação original de cuidado da criação por meio da caridade com os irmãos e procurando tudo orientar para viver na comunhão com Deus. Trata-se por isso de uma ecologia integral, como refere o Papa Francisco: a relação com Deus, dom da sua graça e misericórdia, impele-nos a cuidar do próximo e da criação. Como tudo na nossa existência, tudo começa nos mais pequenos gestos, mas deve ser orientado para expressão do amor que cultivamos na nossa vida. Possa a quaresma ajudar a purificar o nosso ser para este ser cada vez mais expressão do amor divino.

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