DOMINGO IV DA PÁSCOA
L 1 At 4, 8-12; Sal 117 (118), 1 e 8-9. 21-23. 26 e 28cd e 29
L 2 1 Jo 3, 1-2
Ev Jo 10, 11-18
Este
domingo, o IV do tempo da Páscoa, é conhecido como o do bom pastor. É também o
dia de oração pelas vocações.
A
liturgia deste Domingo acentua de modo especial o dom da vida de Jesus Cristo entregue
por nós, como acontecimento singular na história da humanidade. A primeira
leitura expressa a vida de Jesus em cumprimento da profecia bíblica da pedra
angular: aquele que é rejeitado torna-se essencial para a nova forma de vida.
Jesus é a pedra angular, rejeitada, mas que no seu dom nos abre uma nova forma
de vida. Também nos indica que nas dificuldades que enfrentamos, Jesus permanece como
possibilidade ser a nossa pedra angular, que sustenta a nossa vida.
O
amor de Deus, que nos é dado em seu filho, como designa a Primeira Carta de João,
é apresentado como um dom perene que nos toca hoje e que nos consagrou como
seus filhos.
É
este amor, livre e doado, que vemos na figura do bom e belo pastor. É
importante sublinhar o que nos diz o profeta Ezequiel, que apresenta Deus como
o pastor do Povo, em contraposição àqueles que tendo a missão de cuidar do
Povo, não o faziam, mas antes o exploravam. Jesus vem como o bom pastor, que
ama e dá a vida pelas suas ovelhas; já aquele que é apenas mercenário foge
quando se aproxima o perigo ou a tribulação.
Mas
outra dinâmica é ainda importante salientar deste bom pastor: ele conhece as
suas ovelhas, ou seja, tem consciência das necessidades daqueles de quem cuida.
Mas no caso de Jesus, este conhecimento é descrito à semelhança do conhecimento
que o Eterno Pai tem do Filho; assim, o conhecimento que Deus tem de nós tem
traços da intimidade familiar.
Este
amor é dom puro ao qual nos é dado participar, mas que também nos desafia. A
liberdade humana orienta-se para vivermos uns com os outros, no cuidado mútuo e
não apenas para agir sem restrições. E este aspeto é fundamental para todos
aqueles que exercem a missão de cuidar; e aí todos somos chamados a meditar na
forma como cuidamos. Que amor e conhecimento temos daqueles que cuidamos,
mediante o poder que nos é dado?
É
deste núcleo de amor de Deus que se compreende toda a vocação humana, que fomos
rezando durante esta semana. Nas várias formas de vida, toda a vocação cristã
se orienta para encontrarmos em Cristo o nosso Pastor, mediante a adesão na fé às
suas palavras, aceitando a fidelidade no amor diário. Darmos testemunho da vida
que Deus nos dá, é também propagar no mundo uma nova forma de vida, que nos faz
olhar para aqueles que mais precisam, seja de bens materiais ou espirituais, e
talvez até enfrentar as dificuldades em nome de um amor maior.
Cada
pessoa é chamada a realizar a sua vocação, aprendendo a viver como filho de
Deus, cuja felicidade maior está no acolhimento da fé e da entrega de vida.
Este é o segredo da vocação; só vivemos uma vez - e é para sempre - e em cada
dia a nossa existência ganha sentido quando vive do amor e para o amor, para
aprender a cuidar e a fazer suscitar mais vida. A grande tentação é a de ficar
como mercenário: agarrado ao bem-estar e às seguranças ilusórias de uma paz
vazia, sem nunca entrar na lógica do Filho de Deus, alheado da verdadeira
vida. Não nos deixemos ficar agarrados ao vazio.

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