Friday, 5 April 2024

Somos cristãos em comunidade

 

 


DOMINGO II DA PÁSCOA ou da Divina Misericórdia


L 1 At 4, 32-35; Sal 117 (118), 2-4. 16ab-18. 22-24
L 2 1 Jo 5, 1-6
Ev Jo 20, 19-31 

 

O Evangelho deste Domingo celebra o oitavo dia da festa da Páscoa, fazendo-nos olhar de modo especial para a presença de Jesus ressuscitado no meio dos discípulos. Jesus toma sempre a dianteira e vem ao encontro dos discípulos, os quais estão fechados com medo dos judeus e de uma possível perseguição. A possibilidade do sofrimento tocar os discípulos surge como uma realidade, tal como havia sucedido com o Mestre. É a resposta comum quando alguém se sente em perigo, o que evidencia ainda mais a novidade da Páscoa de Jesus.

O encontro de Jesus com a Igreja nascente traduz-se numa experiência de grande alegria, quando o vêem vivo, reconhecendo a sua intimidade, nas suas mãos e no seu lado. Experiência fundamental de Cristo que traz a paz. À novidade do Senhor ressuscitado, junta-se um renovado chamamento, uma nova vocação: os discípulos são agregados à missão de Jesus, sendo revestidos do Espírito Santo, tal como Jesus tinha sido no Baptismo, mediante o sopro de vida nova; são enviados com o poder de perdoar os pecados, algo que Jesus também partilha da missão do Pai. Por isso, a missão confiada aos apóstolos reveste-os de Cristo, para poderem dar testemunho de Cristo. Assim, a vida da Igreja é chamada a ser reflexo da vida de Cristo, a ser anunciadora como Cristo do amor e da salvação de Deus. 

O cristianismo é necessariamente comunitário. O Senhor ressuscitado revela-se aos discípulos e são eles que têm a missão de dar testemunho do Senhor. É no acolhimento e no anúncio desta forma de vida, recriada em Deus, no sopro de Cristo, que a Igreja cresce. Assim vemos Tomé; ele não estando presente da primeira vez, não acreditava na presença do Senhor ressuscitado; tão-pouco, Cristo se lhe revelou de forma particular; é no meio dos discípulos, fazendo a experiência em comunidade do Senhor e sendo conhecido o seu coração por Cristo, que Tomé se rende e professa a fé no Senhor. Precisamos tanto que as nossas comunidades cristãs sejam local onde cada um se possa encontrar com Cristo, na verdade que converte e liberta. 

A ressurreição muda o paradigma pessoal do medo para o amor, da indiferença para a fé. A nova comunidade dos apóstolos centra-se na partilha da vida, na caridade e na misericórdia. Ninguém, diz o texto, passava necessidade, pois todos tinham o seu lugar. Não se trata de igualitarismo, mas de cuidado pessoal, algo que é bem distinto; o amor pessoaliza sempre. É o amor recebido do dom do Espírito Santo, que lentamente vai convertendo as vidas e os corações à comunhão de vida. Vemos que a Igreja se constrói no ensino dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e na oração, sinais também que nos tocam a nós, para acolher a Palavra de Deus no nosso hoje, na capacidade de darmos e recebermos o perdão em comunidade, na vivência da Eucaristia e na oração vivida como ritmo pessoal de vida.

Neste dia que celebramos a misericórdia de Deus, reconheçamo-nos nela, como alcançados por Deus e sejamos para os nossos contemporâneos sinais da vida que ela transmite. Ela é expressão de um Deus que nos olha e se compadece da nossa fragilidade, como uma força que nos eleva.



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