DOMINGO II DA PÁSCOA ou da Divina Misericórdia
L 1 At 4, 32-35; Sal 117 (118), 2-4. 16ab-18. 22-24
L 2 1 Jo 5, 1-6
Ev Jo 20, 19-31
O Evangelho deste Domingo celebra o oitavo
dia da festa da Páscoa, fazendo-nos olhar de modo especial para a presença de
Jesus ressuscitado no meio dos discípulos. Jesus toma sempre a dianteira e vem
ao encontro dos discípulos, os quais estão fechados com medo dos judeus e de
uma possível perseguição. A possibilidade do sofrimento tocar os
discípulos surge como uma realidade, tal como havia sucedido com o Mestre. É a
resposta comum quando alguém se sente em perigo, o que evidencia ainda mais a
novidade da Páscoa de Jesus.
O encontro de Jesus com a Igreja nascente
traduz-se numa experiência de grande alegria, quando o vêem vivo,
reconhecendo a sua intimidade, nas suas mãos e no seu lado. Experiência
fundamental de Cristo que traz a paz. À novidade do Senhor ressuscitado,
junta-se um renovado chamamento, uma nova vocação: os discípulos são agregados
à missão de Jesus, sendo revestidos do Espírito Santo, tal como Jesus tinha
sido no Baptismo, mediante o sopro de vida nova; são enviados com o poder de
perdoar os pecados, algo que Jesus também partilha da missão do Pai. Por isso,
a missão confiada aos apóstolos reveste-os de Cristo, para poderem dar
testemunho de Cristo. Assim, a vida da Igreja é chamada a ser reflexo da vida
de Cristo, a ser anunciadora como Cristo do amor e da salvação de Deus.
O cristianismo é necessariamente
comunitário. O Senhor ressuscitado revela-se aos discípulos e são eles que têm
a missão de dar testemunho do Senhor. É no acolhimento e no anúncio desta forma
de vida, recriada em Deus, no sopro de Cristo, que a Igreja cresce. Assim vemos
Tomé; ele não estando presente da primeira vez, não acreditava na presença do
Senhor ressuscitado; tão-pouco, Cristo se lhe revelou de forma particular; é no
meio dos discípulos, fazendo a experiência em comunidade do Senhor e sendo
conhecido o seu coração por Cristo, que Tomé se rende e professa a fé no
Senhor. Precisamos tanto que as nossas comunidades cristãs sejam local onde
cada um se possa encontrar com Cristo, na verdade que converte e liberta.
A ressurreição muda o paradigma pessoal do
medo para o amor, da indiferença para a fé. A nova comunidade dos apóstolos
centra-se na partilha da vida, na caridade e na misericórdia. Ninguém, diz o
texto, passava necessidade, pois todos tinham o seu lugar. Não se trata de
igualitarismo, mas de cuidado pessoal, algo que é bem distinto; o amor pessoaliza sempre.
É o amor recebido do dom do Espírito Santo, que lentamente vai convertendo as
vidas e os corações à comunhão de vida. Vemos que a Igreja se constrói no
ensino dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e na oração,
sinais também que nos tocam a nós, para acolher a Palavra de Deus no nosso hoje,
na capacidade de darmos e recebermos o perdão em comunidade, na vivência da
Eucaristia e na oração vivida como ritmo pessoal de vida.
Neste dia que celebramos a misericórdia de
Deus, reconheçamo-nos nela, como alcançados por Deus e sejamos para os nossos
contemporâneos sinais da vida que ela transmite. Ela é expressão de um Deus que
nos olha e se compadece da nossa fragilidade, como uma força que nos eleva.

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