Friday, 12 April 2024

Não basta ser anunciador, é preciso ser testemunha.

  

Cristo no caminho de Emaús

DOMINGO III DA PÁSCOA


L 1 At 3, 13-15. 17-19; Sal 4, 2. 4. 7. 9
L 2 1 Jo 2, 1-5a
Ev Lc 24, 35-48

 

Ouvimos no relato dos Atos dos Apóstolos como Pedro anuncia o mistério pascal de Cristo, sempre como o Justo entregue por nós e nunca como uma atribuição de culpa sem medida aos líderes judaicos. A Igreja apresenta Jesus como aquele que assume os nossos pecados, como tudo aquilo que nos faz viver separados da Ordem. É deste núcleo de amor e de graça que se gera o arrependimento e se pede a conversão. São João apresenta-nos esta mesma realidade, e se nos chama a evitar o pecado, mais nos lembra para confiar na misericórdia divina.

É deste núcleo de surpresa de Deus que olhamos o evangelho deste Domingo. Aqui nos é dado continuar a ouvir a chegada dos discípulos que fizeram o caminho com Jesus rumo a Emaús. Eles mesmos confirmam  como se encontraram com o Senhor e é neste seu testemunho que Jesus se faz presente, e novamente ressoa como em Jesus se concretizam as promessas feitas ao Povo de Deus e que ele havia explicado àqueles dois primeiros discípulos. 

É belo compreender que o anúncio de Jesus, quando toca a nossa vida tem a capacidade de fazer acontecer o Reino de Deus à sua volta. E é assim que os outros discípulos fechados passam da tristeza e do medo para a experiência de Cristo ressuscitado. 

Este evangelho que assinala a vitória do amor de Deus sobre o pecado, que tem a capacidade de fechar a humanidade, para abrir o coração à novidade da graça. E na fórmula dada de pregação e conversão, surge um dado novo: o de se tornarem testemunhas. Não basta ser anunciador, é preciso ser testemunha. 

É sempre impressionante que o Senhor conheça o frágil coração humano e como a sua misericórdia é desbloqueadora do medo que nele aparece: Ele toma a iniciativa e reconstrói a fé dos discípulos e envia-os em missão, como testemunhas. Testemunhas da ressurreição, porque experimentados na misericórdia de Deus. De facto, não basta saber as noções históricas ou teóricas da ressurreição. O Ressuscitado toca a nossa vida, e cada um de nós participa na sua vitória sobre a morte pelo baptismo. 

É neste contexto de vida ressuscitada que a Igreja inica a semana de oração pelas vocações. Cada cristão é uma vocação. E cada vocação é a resposta como cada um deixa a luz de Cristo ressuscitado entrar na sua vida. Por isso, não existem fórmulas feitas; é vida que nasce do encontro com Cristo, e que se traduz numa opção concreta de vida – os leigos, no meio das realidades que tocam a todos; os sacerdotes, como sinal de Cristo que vem para servir; os consagrados, sinal de vidas todas entregues a Deus, realidade para a qual todos somos chamados na vida eterna, e que estes têm missão de nos lembrar. Por isso a vocação não é apenas uma coisa de cada um; é um bem para toda a Igreja e todo o mundo. A vocação cristã é o nosso testemunho de Cristo ressuscitado, onde cada um participa com o dom da sua vida na sinfonia de carismas que constituem a Igreja, como nos recorda o Papa Francisco na mensagem que dirigiu para esta semana. 

Rezemos por todos, especialmente os jovens, mas não só, para que dêem um sim generoso a Cristo. 


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