Thursday, 27 February 2025

Tempo para dar bom fruto


DOMINGO VIII DO TEMPO COMUM


L 1 Sir 27, 5-8 (gr. 4-7); Sl 91 (92), 2-3. 13-14. 15-16
L 2 1Cor 15, 54-58
Ev Lc 6, 39-45 

As leituras deste Domingo colocam-nos diante de Jesus como Mestre que ensina e nos aponta o caminho da vida. Em Jesus Cristo encontramos esse caminho pela força da sua ressurreição, tal como nos apresenta São Paulo na Carta aos Coríntios, ao ensinar que Cristo venceu a morte, simbolizando a vitória do bem sobre o mal e o pecado. A exortação de Paulo é cheia de esperança, para que os cristãos, vivendo no tempo e no espaço, não se deixem afundar nas dificuldades.

Contudo, esta realidade também nos recorda que, embora cada um deva procurar fazer o melhor ao seu alcance, caminhamos sempre sustentados pelo amor de Jesus Cristo, que nos apoia e fortalece. Assim, as exortações de Cristo no Evangelho enchem-se de sentido.

A primeira exortação lembra-nos que a nossa condição nos chama à fraternidade, a caminhar lado a lado com os irmãos, sabendo, porém, que a Verdade é superior a todos nós. Por isso, é essencial procurá-la e respeitar a vida de acordo com ela. De facto, tal como nenhum discípulo é superior ao mestre, também nós devemos manter-nos fiéis ao Mestre, para não nos tornarmos senhores da verdade, mas antes buscarmos o discernimento e a compreensão à luz da Palavra de Deus. Sem esta atitude, facilmente nos tornamos juízes implacáveis dos outros, esquecendo a nossa própria fragilidade, e como nos recorda o evangelho, a facilmente cairmos num fosso.

Longe desta consciência ser uma submissão forçada, esta realidade dá-nos uma verticalidade essencial, lembrando-nos de que somos peregrinos da verdade, chamados a fruir do amor de Deus como luz para os nossos passos e guia para uma vida fraterna.

Esta consciência leva-nos a acautelar-nos contra juízos precipitados, como nos recorda o Evangelho: antes de querer tirar o argueiro do olho do outro, devemos perceber se temos uma trave diante dos nossos próprios olhos. A lógica é clara: o outro não nos pode ser indiferente, mas a verdadeira mudança começa em nós próprios. No máximo, podemos influenciar a transformação do próximo pelo nosso testemunho. Assim, devemos reconhecer como a mudança pode iniciar-se em nós, sem que isso nos impeça de reconhecer também a ação dos outros.

O Senhor recorda-nos que é pelos frutos, pelas palavras e pelas obras que se reconhece cada um. Longe de nos determos apenas na aparência ou em juízos apressados, aquilo que brota da vida de cada pessoa revela o seu mundo interior, a bondade que nela existe ou as dificuldades que atravessa. Por isso, a urgência da conversão torna-se ainda maior: todos somos chamados a produzir bons frutos. E para nós, esses frutos são os do Espírito Santo: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Que esses frutos cresçam em nós e que o nosso caminho vá transformando tudo aquilo que ainda não está conforme a vontade de Deus.

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