Friday, 20 June 2025

O amor levado até à cruz

 




DOMINGO XII DO TEMPO COMUM


L1: Zac 12, 10-11; 13,1; Sal 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L2: Gal 3, 26-29
Ev: Lc 9, 18-24 


As leituras deste Domingo apresentam-nos uma imagem do Messias, a qual deve ser sempre renovada na nossa consciência. A identidade do Messias que Jesus revela é enquadrada pelo profeta Zacarias. Este profeta, cerca de 200 ou 300 anos antes de Cristo, descreve, no seu tempo, a morte de um inocente, vítima de uma injustiça que causa grande perturbação na sociedade. Esta morte é, porém, lida pelo profeta como ocasião de renascimento do povo, o qual pode encontrar neste drama uma força para se purificar.

O tema do servo sofredor é tomado, ao longo da Escritura, sempre como uma leitura de que, na entrega de um justo, é possível encontrar a salvação, cuja vida se torna modelo e fonte de bem para os que o rodeiam.

De modo especial, esta tipologia concretiza-se em Jesus Cristo. Neste relato do Evangelho, Jesus é, no dizer das multidões anónimas segundo os discípulos, um precursor de algo. A resposta de Pedro à interpelação do Mestre – "E vós, quem dizeis que Eu sou?" – é exacta, mas muito distante da imagem do Messias preanunciado por Zacarias ou Isaías, sendo antes próxima da imagem do Messias conquistador, como David.

Jesus ensina os seus discípulos que a sua vida é para ser entregue por todos, não para favorecer uma elite. Todos são chamados a uma igualdade existencial em Jesus Cristo, algo que a Igreja anunciará e fará acontecer mediante o Baptismo.

Esta igualdade de Filhos de Deus não significa igualitarismo. Cada um é filho único no único Filho de Deus. Mas Jesus apresenta as condições para viver com Ele e n'Ele:

  1. Renunciar a si mesmo, sabendo dizer "não" ao foco em si próprio, para viver como Cristo, para os outros;

  2. Tomar a cruz todos os dias, ou seja, reproduzir na vida a entrega de Jesus por amor. Assim, não significa procurar o sofrimento em si, mas assumi-lo por causa do amor de Deus e dos outros. O inciso lucano "todos os dias" marca esta entrega como perene;

  3. Seguir o Senhor, procurando transformar a própria mentalidade e abraçar a Palavra de Deus, sem se querer distanciar de Jesus.

Este caminho a que Jesus nos convida é uma via-sacra, ou seja, um caminho sagrado, para fazer acontecer na vida de todos o sinal da cruz, marcado por um amor acolhido de Deus e levado até ao fim na nossa vida, assumindo as nossas fragilidades e limitações.

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