DOMINGO DE PENTECOSTES
L 1 At 2, 1-11;
Sl 103 (104), 1ab e 24ac. 29bc-30. 31 e 34
L 2 1Cor 12, 3b-7. 12-13
Ev Jo 20, 19-23
Celebramos a conclusão do tempo pascal com a Solenidade do Pentecostes. O dom do Espírito Santo é o cumprimento último da promessa de Deus feita em Jesus Cristo, ao tornar possível que cada um possa viver a sua semelhança com a Imagem de Deus. Santo Ireneu ensinava-nos assim, ao recordar que a nossa condição de imagem e semelhança de Deus era sinal das duas mãos com que Deus nos criou: o Verbo de Deus e o Espírito Santo. A imagem é-nos dada na Criação pelo Verbo de Deus como marca indelével para sempre; já a semelhança só é possível de viver no dom do Espírito Santo, que nos purifica e aperfeiçoa para sermos reflexo do amor de Deus. Trata-se de viver como semelhantes de Deus, de fazer acontecer a marca que todos trazemos na nossa vida.
As leituras de hoje apresentam-nos o Espírito Santo como uma novidade surpreendente, capaz de transformar o medo e o isolamento dos discípulos em coragem e força para a missão. Note-se bem: esta transformação é dom de Deus, que actua no coração dos discípulos, na sua forma de se entenderem no mundo. No livro dos Atos dos Apóstolos, o Espírito é o dom que os leva a falar novas línguas, mas em que existe compreensão e entendimento entre todos. Quantas vezes, apesar de falarmos a mesma língua, não nos entendemos mutuamente, tal como aconteceu na torre de Babel, quando, no esforço de querer ser como Deus, deixámos de nos compreender?
Assim, o Espírito faz acontecer uma comunhão e unidade entre todos. Por isso, Ele é fogo de comunhão e não de divisão, é agente de perdão entre nós e de vida transformada, e não de ressentimentos acumulados. É por Ele que cada um pode louvar a Deus com a sua própria voz e na sua singularidade.
O Evangelho reforça a consciência da presença do Espírito Santo como dom necessário para a missão, a qual está intimamente ligada ao perdão de Deus. Este perdão é um dom perene, que recria a humanidade com um sopro inesgotável. Como tal, os discípulos são enviados para serem agentes do perdão, para recriar a humanidade em comunhão com o Espírito Santo.
É ainda o Espírito Santo que, sendo o grande renovador da Igreja, faz emergir a consciência de que pertencemos a um mesmo corpo, no qual se integram as mais variadas pessoas e condições, mas unidas pelo desejo de se reconhecerem salvas por Jesus Cristo. É Ele que concede os mais variados dons para a edificação mútua, para que cada um possa dar o seu contributo neste mundo, contribuindo assim para o bem de todos. No nosso mundo, na nossa comunidade, precisamos tanto que os dons de cada um possam ser partilhados e reconhecidos, bem como usados para edificar e não para destruir, para fazer crescer todos e não atrofiar os demais.
Que o dom do Espírito Santo nos renove, a cada um, no seu coração, nas nossas famílias e nas nossas comunidades cristãs.

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