Saturday, 26 July 2025

Quem reza não perde tempo — ganha vida!




DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM


L 1 Gn 18, 20-32; Sl 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 6-7ab. 7c-8
L 2 Cl 2, 12-14
Ev Lc 11, 1-13

A liturgia deste domingo apresenta-nos o pedido dos discípulos para serem ensinados a rezar, depois de terem visto o Senhor estar em oração com Deus. Não nos é dado conhecer a natureza da oração de Jesus… São Paulo, posteriormente, afirmará que o Espírito nos faz clamar "Abba!".

E é desta experiência deste nome, Abba, expressão da oralidade das crianças hebraicas para chamar pelo pai, que se estrutura a experiência da oração dos discípulos. Assim, nos é ensinado a tratar Deus por Pai, algo fundamental da experiência cristã… Somente o Novo Testamento repete à saciedade que Deus é Pai, algo que nos é revelado por Jesus. Assim, a nossa experiência de oração funda-se na nossa condição de filhos, diante de um Pai fiel, justo e misericordioso. Somos como os filhos que pedem pão ao Pai, assim nos lembra o núcleo central da oração do Pai-Nosso. E por ser "nosso" e não "meu", somos irmãos de toda a humanidade, o que nos abre o olhar para os que caminham ao nosso lado.

Mas a oração de Jesus e a dos discípulos não pode ser o mero repetir de fórmulas. Precisamos de estar orientados para o fazer, ter o nosso coração em Deus, como diz a fórmula litúrgica. Saber pedir, com perseverança, em vista de um bem. Pode parecer estranho, mas a perseverança de Abraão, e que Jesus volta a repetir — para bater sem cessar —, é-nos dada como fruto: o Espírito Santo. Não coisas, mas o Espírito de Deus, o seu próprio ser. Trata-se, por isso, de relação e coração, sentimento e inteligência para a nossa vida. E Deus dá o Espírito sem medida (cf. Jo 3,34).

Quantas vezes somos tentados a rezar e experimentamos estar imensamente ocupados com outra coisa que não a oração… ou então, quando vivemos numa fase de aridez, sem vontade de rezar, entregamo-nos ao desânimo e deixamos de rezar. Precisamos de amor para rezar, e o nosso amor alimenta-se na oração, como foi com Jesus. O nosso tempo apresenta milhentas propostas de meditação, as quais são para nós sinal de um desejo de espiritualidade e de silêncio. Muitas dessas propostas são válidas, mas a oração cristã é diferente: é encontro com Cristo ressuscitado, pela força da sua Palavra e do seu Espírito. E não tenhamos medo: “Quem reza não perde tempo — ganha vida!”

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