Friday, 4 July 2025

Ser cristão, ser missionário




DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM


L 1 Is 66, 10-14c; Sl 65 (66), 1-3a. 4-5. 6-7a. 16 e 20
L 2 Gl 6, 14-18
Ev Lc 10, 1-12. 17-20 ou Lc 10, 1-9 

A liturgia deste domingo apresenta-nos o Evangelho de Lucas, onde se narra o envio dos 72 discípulos — um número simbólico que representa todas as nações conhecidas na Terra. O objetivo da missão é claro no texto: os discípulos vão à frente do Mestre, dirigindo-se a todas as localidades para onde Ele havia de ir. Assim, compreendemos facilmente que o Evangelho nos revela o verdadeiro sentido da missão de Cristo: ser conhecido em todas as terras.

Cristo envia os discípulos — os de então e os de agora — como portadores de uma missão de paz. Por isso, são enviados com a fragilidade e vulnerabilidade próprias dos homens e mulheres, e não como super-heróis. São enviados como cordeiros para o meio de lobos — imagem que ilustra como a missão dos discípulos não se cumpre pela força, mas pela paz. No fundo, partilham da mesma missão de Cristo: abrir o caminho de Deus no meio da nossa humanidade, estar connosco, habituar-nos a Deus, curar e anunciar o Reino de Amor do nosso Deus.

Vemos, por isso, uma ligação íntima com a primeira leitura, que descreve o movimento de regresso a Jerusalém, como o reencontro da humanidade com Deus. Deus é aqui apresentado com traços maternais, que devolvem vigor à humanidade que o procura e nele encontra alívio e descanso.

Para nós, cristãos de hoje, estas leituras convidam-nos a refletir sobre o sentido da missão atual, destacando três aspetos:

  1. Consciência de uma grande missão: Somos enviados para uma missão exigente, onde certamente encontraremos dificuldades. Contudo, a nossa resposta baseia-se na paz — uma paz viva, não passiva, porque plena de Deus e, por isso, reconciliadora. Somos portadores de uma luz que não é nossa, mas que brilha através de nós.

  2. Missão no nosso meio: Somos chamados hoje a ir ao encontro dos que vivem connosco. A missão pode levar-nos para fora de casa, mas não nos obriga, necessariamente, a sair da nossa terra. Aqui mesmo podemos testemunhar a fidelidade de Deus, que cura e eleva a nossa humanidade — seja através do nosso cuidado, seja através da nossa integridade. A fé sustenta-nos na entrega.

  3. Uma missão cheia de alegria: Tal como os discípulos se alegraram ao ver os frutos do seu trabalho, também nós experimentamos a alegria que brota da paz. E essa alegria tem força — anima o caminhante. Um caminhante desanimado ou se arrasta, ou não avança. A nossa alegria encontra-se no caminho do dia a dia, no testemunho que damos, e que nos orienta para uma meta maior: viver já aqui na Terra a promessa da comunhão com Deus.

Que a alegria da missão cristã — a alegria de sermos arautos de Cristo — nos anime nos nossos contextos de vida. Que saibamos ir ao encontro dos outros e sejamos o rosto do Cristo misericordioso.

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