Thursday, 7 August 2025

A fé: a porta da fidelidade





DOMINGO XIX DO TEMPO COMUM


L 1 Sb 18, 6-9; Sl 32 (33), 1 e 12. 18-19. 20 e 22
L 2 Heb 11, 1-2. 8-19 ou Heb 11, 1-2. 8-12
Ev Lc 12, 32-48 ou Lc 12, 35-40 

A vida humana precisa de ter sentido — algo sentido como essencial à nossa condição. Somos homens e mulheres que, muitas vezes, nos perguntamos para onde a nossa vida se encaminha e qual o caminho a seguir.

Esta condição humana marca, em geral, toda a experiência de vida e também a experiência religiosa. Neste sentido, a Palavra de Deus deste domingo oferece-nos luz para o nosso caminhar.

De facto, a primeira e a segunda leitura apresentam-nos o caminho da fé, sustentado pela esperança, pelo amor e pela entrega — uma vida orientada por algo que ainda não se vê.

A fé nasce, antes de mais, como uma experiência profundamente humana, essencial à nossa existência enquanto criaturas. Precisamos de ter fé para viver: para acreditar que podemos sair de casa em segurança, que vale a pena tomar esta ou aquela decisão, escolher esta ou outra dieta — entre tantos outros aspetos da vida.

A fé cristã assume tudo isto como parte do nosso dia a dia, mas vai mais longe: inscreve-se numa lógica de relação com Deus. Assim nos mostra a experiência bíblica, que liga a fé à fidelidade vivida todos os dias, como tão bem nos apresenta o Evangelho.

A fé, quer humana, quer cristã, vive sempre da expectativa de alcançar algo que se espera. Mas a fé cristã nasce de um encontro e de uma promessa feita por Deus ao seu povo. Parte de uma experiência de salvação que transforma a vida: de um encontro com Deus, revelado de modo pleno na entrega de Cristo por cada um de nós.

A fé é sempre iniciativa de Deus, que vem ao nosso encontro — como aconteceu com Abraão, com Maria, com os Apóstolos, e com cada um de nós. É um encontro de amor, de perdão e de transformação.

Não se trata, evidentemente, de ficar parado ou desligado da realidade. A fé toca a nossa vida onde quer que estejamos. Por vezes, leva a mudanças profundas: a partir, a deixar para trás o que nos prende. Mas tantas outras vezes, é no modo como vivemos o nosso dia a dia que a fé se prova e se fortalece.

A fé atravessa, inevitavelmente, momentos de prova e de crise — tempos em que Deus parece ausente, e nos confrontamos com os grandes dramas da vida: dificuldades familiares, problemas de saúde, injustiças.

Nesses momentos, a fé liga-se à fidelidade. Como resposta a um amor, ela subsiste no perdão e no desejo de continuar a agir segundo a vontade de Deus. Como é difícil manter a retidão quando sentimos que tudo à nossa volta é injusto ou então não faz sentido! Mas é na ausência que se joga a fidelidade.

Mas a fé alimenta-se diariamente da oração — encontro com Deus —, do amor com que vivemos e nos damos, e da persistência, criativa e realista, de viver segundo o ritmo do coração de Cristo.

A fé conhece crises. Mas a mesma fé aponta-nos que Deus é maior do que o nosso coração (cf. 1 Jo 3,20). E isso basta para não desistir.

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