Friday, 6 February 2026

Rejeitar o mal não basta; é necessário procurar fazer o bem

 

DOMINGO V DO TEMPO COMUM

 

L 1: Is 58, 7-10; Sl 111 (112), 4-5. 6-7. 8a e 9
L 2: 1Cor 2, 1-5
Ev: Mt 5, 13-16

 

A liturgia da Palavra, no Evangelho de Mateus, continua a colocar-nos com Jesus na montanha, logo após as Bem-aventuranças. As palavras de Jesus são fortes no tempo em que foram ditas e continuam a ecoar nos nossos dias.

Sal da terra e luz do mundo

As palavras de Jesus, ditas neste contexto, ganham muita força. O sal — de onde deriva a palavra “salário” — mostra-nos bem a importância do que é dito. Aos seus discípulos, Jesus pede-lhes que sejam sal e luz: sal para conservar e dar sabor; luz para iluminar o que está fechado e nas trevas.

O caminho é claro: rejeitar o mal não basta; é necessário procurar fazer o bem, nas boas obras.

Mas que boas obras?

As boas obras que Jesus nos aponta devem conduzir à glória de Deus. Portanto, não se tratam de boas obras vividas na lógica do “eu” ou da mera força humana, de um sucesso humano para si mesmo ou para as fotografias, mas orientadas e apoiadas em Deus, na gratuidade. O bem feito pelo outro e por amor do outro.

Os Padres do deserto diziam que o maior sinal da bondade de uma obra se manifestava quando, não sendo vista nem reconhecida, não gerava ressentimento em quem a praticava. Isaías apresenta-nos como o bem, sem violência nem opressão, é causa de construção e de cura, mostrando que o cuidado que se dá também cura e faz bem. Fazer o bem faz-nos bem também a nós, quando é feito de forma livre e com gratuidade.

A lógica da misericórdia

O bem que se faz gratuitamente abre-nos ao outro e tira-nos dos nossos mundos fechados. O cuidado que damos aos que muitas vezes não conseguem ajudar-se ajuda o irmão, liberta-o da solidão, constrói a fraternidade e humaniza-nos também a nós, ao reconhecermos a igual dignidade que a todos nos une.

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