DOMINGO III DA QUARESMA
L 1: Ex 17, 3-7; Sl 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2: Rm 5, 1-2. 5-8
Ev: Jo 4, 5-42 ou Jo 4, 5-15. 19b-26. 39a. 40-42
Celebramos este Domingo, o terceiro na caminhada da quaresma e eis que a liturgia da Palavra coloca diante de nós o episódio da samaritana e Jesus, um diálogo profundo sobre a água e da sede humana.
Sede
A água é essencial para a vida do corpo e a experiência da sede só revela mais profundamente essa necessidade. A primeira leitura relata-nos um povo “atormentado pela sede” que ousa questionar a libertação que lhe havia ocorrido. É Deus, que acolhendo a voz de Moisés, faz brotar a água de um rochedo, lugar improvável e sinal de uma experiência de fé. A liberdade trouxe ao povo dificuldades, e diante destas este prefere voltar à escravatura e duvida do amor; mas o Deus de Israel não abandona o seu Povo que a Ele clama e mediante a prece, este é acolhido. Experiência marcante para o Povo de Deus que encontra em Deus salvação.
A sede toca também a vida de Jesus, que quer passar pelo território inóspito da Samaria. Aí encontra e pede água a uma mulher, samaritana, e com uma vida pouco recomendável. Esta mulher é sinal da humanidade, que procura água para a sua vida como condição de sobrevivência. Mas é no diálogo que decorre que a mulher vai reconhecer a sua sede, aquilo que a fazia oscilar e procurar tantas outras soluções.
A água de Cristo
O segredo que se vai revelar na vida dela vai ser a descoberta da sede mais profunda, a falta e a carência de algo que lhe dê a segurança para a vida. Vai ser a verdade, não a que esmaga, mas a mais profunda, de que é conhecida desde sempre com amor, que a vai tornar em anunciadora e testemunha de Cristo. É a experiência e não apenas o saber que faz dela testemunha de Jesus.
No mais profundo de nós mesmos vive Cristo que nos sustenta e quer ser escutado para nossa salvação; no acolhimento de sua vontade vivemos a salvação, no meio da sede que tantas vezes temos.
O mal é quando tentamos disfarçar esta sede com coisas que não geram vida e nos anestesiam a nossa dor. Aí surgem tantas vezes os vícios ou outras compensações, que só podem gerar amargura e nos diminuem na nossa semelhança com Deus.
Deixar que a vida de Cristo nos transforme em testemunhas e nos leve à fé, a sermos adoradores em espírito e verdade. Esta transformação inicou-se para cada um de nós no batismo, na água viva que faz de nós membros da Igreja e que em cada dia somos chamados a deixar que nos alimente e revigore o nosso espírito.
Nesta quaresma demos tempo para nos colocarmos em verdade diante de Deus, de nos deixarmos confrontar como vivemos em espírito e verdade e de renovarmos o nosso batismo. Conheçamos a nossa sede e confiemos que somente Jesus Cristo é a água viva que dá sentido, pelo amor incondicional, a nossa vida. Sem esta ficaremos sempre presos de coisas passageiras. Assim nos recordava Santo Agostinho que o nosso coração anda inquieto até poder repousar em Deus.

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