L 1 Is 55, 10-11; Sal 64 (65), 10abcd. 10e-11. 12-13. 14
L 2 Rom 8, 18-23
Ev Mt 13, 1-23 ou Mt 13, 1-9
As leituras deste dia colocam-nos diante da força da Palavra. A leitura de Isaías recorre à imagem da força que a água tem para fazer germinar para aí ler a acção da Palavra de Deus. Se, na Sagrada Escritura, a capacidade fecunda da água é comparada à bênção de Deus - «como o orvalho de Hermon, que desce sobre os montes de Sião, pois dali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre» (Sal 133, 3) -, também a Palavra participa do mesmo poder. E é precisamente aqui, na capacidade da Palavra de Deus fecundar a vida, que estas leituras nos parecem também fazer entrar.
O Evangelho conta o parábola conhecidíssima do semeador que lança a semente à terra. A semente lançada abundante e generosamente e quase de forma descuidada - sobre espinhos e pedras! - traduz uma esperança de ver produzir o fruto desejado. E esta esperança é tanto maior quando na parábola se percebe que cada local onde cai uma semente é imagem de uma pessoa, ou seja, desejo de Deus chegar e fazer crescer a Vida!
A condição para germinar e frutificar não está no lado da semente, mas do lado da terra quando tem espaço para deixar crescer. Penso que podemos a partir da explicação de Jesus colocar as condições para a germinação e frutificação: "ouvir, compreender e esperar". Ouvir, ou seja, capacidade de deixar a Palavra entrar; compreender, ou seja, deixar entrar no coração - lugar que a bíblia entende como inteligência - e aí deixar ocorrer a transformação; esperar, ou seja, mesmo no meio das dificuldades e tempestades, esperar que a Palavra frutifique, confiando que «os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós» (Rom 8, 18).
O início deste processo continua do lado da semente, que tem de morrer para dar fruto; morre sempre dentro da terra e da terra depende para frutificar. Luz do Mistério Pascal, ou seja, a vida (espiritual) alimenta-se da entrega de Cristo e reproduzida em nós. A condição para frutificar está na esperança da terra, que aceita a lentidão dos processos para chegar ao fruto, que persevera mesmo no mesmo das dificuldades e não desespera ao ver as contrariedades. A nossa meta, como nos lembra S. Paulo, é a adopção divina (Rom 8, 23) esperada entre as tribulações.

No comments:
Post a Comment