Saturday, 8 May 2021

Chamados a passar de servos para amigos

 


DOMINGO VI DA PÁSCOA


L 1 At 10, 25-26. 34-35. 44-48; Sal 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4
L2 1 Jo 4, 7-10 ou 1 Jo 4, 11-16
Ev Jo 15, 9-17 ou Jo 17, 11b-19

Neste domingo continuamos a leitura do Evangelho de S. João no capítulo 15, em que nos é dado continuar a ouvir o grande diálogo de Deus com os discípulos na última Ceia. 

Jesus revela-se como o Filho que permanece no Pai e toda a lógica da relação é absolutamente filial e nunca de prestação de serviços. Jesus permanece no amor do Pai, e guarda os seus mandamentos, que assentam sempre no guardar do amor e da possibilidade de nele viver. É para esta lógica que Jesus nos chama: a viver da mesma maneira, com os mesmos sentimentos e disposições. 

Guardar os mandamentos não é viver como fariseu no cumprimento de uma Lei, algo que todo o IV Evangelho rejeita, mas entrar na lógica do conhecimento íntimo, que só é possível quando a vida se entrega, e se dá. Guardar os mandamentos é querer manter-se fiel à comunhão de vida para cuidar do que é absolutamente essencial. Guardar os mandamentos é querer passar de servo para amigo, passar de cumprir algo mandado para entrar num caminho que leva ao dom da vida de cada um. 

Para este caminho toda a humanidade é chamada. Este é o grande sentido da missão da Igreja. Ela é a portadora desta forma de vida, embora limitada em tantos rostos, embora frágil. Pedro mostra que esta missão é liderada não pelas nossas frágeis forças de querer amar, mas pelo Espírito Santo que a anima, e que escolhe e consagra todos aqueles que de facto procuram a justiça e temem a Deus; todos aqueles que percebem que a vida não pode ser reduzida ao que é passageiro, mas há algo que nos transcende; a todos aqueles cujo coração permanece de carne e não se torna em pedra. 

A Igreja nunca poderá ser apenas vista numa lógica de instituição formada apenas por homens e mulheres, mais ou menos bem organizada. A Igreja é um dom de Deus, santificada pelo Espírito Santo, na qual cada um pode encontrar um lugar para louvar a Deus, para o conhecer, para entrar na lógica da comunidade à imagem da relação de Jesus com o Pai. Por isso dizemos sem medo que a Igreja é santa, mas constituída por pecadores. 

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