Friday, 30 April 2021

Videira de vida




DOMINGO V DA PÁSCOA


L 1 At 9, 26-31; Sal 21 (22), 26b-27. 28. 30. 31-32
L 2 1 Jo 3, 18-24
Ev Jo 15, 1-8

O evangelho deste Domingo faz-nos olhar para a alegoria da videira como analogia à vida cristã e vida da Igreja. A cepa central é imagem do dinamismo interior da vida da fé, que se alimenta da força do Espírito Santo. Assim nos recorda a primeira leitura que relata a forma como a comunidade cristã cristã, não inspirada em planos pastorais exactamente definidos, mas na abertura à vida de Deus, ao "Senhor que dá vida", como refere o credo niceno-constantinopolitano. É este mesmo Espírito que fortalece Paulo para o testemunho e os irmãos na fé para a reconciliação e o perdão do antigo perseguidor. 

Mas o relato evangélico faz-nos olhar para a vida cristã e encontrar no cuidado agrícola ensinamentos para a vida cristã. 

1. A poda. A nossa vida é feita de escolhas, que implicam renúncias por um bem cada vez maior. Contudo, a grande poda não se centra no nosso esforço. É alimentada pela Palavra que limpa, que sustenta nos critérios e na revelação do amor de Deus. A Palavra de Deus é criadora e não castradora; por isso, cada renúncia para se poder permanecer na comunhão com Deus só pode suscitar mais vida. 

2. Frutificar. Frutificar é o sentido da fidelidade. Só quem permanece fiel no bem e no amor pode saborear o verdadeiro sentido do amor levado até ao fim. Sem a fidelidade, a nossa vida permanece cativa das oscilações de sentido, sem entrar verdadeiramente na doação de si. Precisamos de fidelidade, como forma de amor no tempo, para podermos frutificar. O fruto porém não é uma questão de perfecionismo morais ou de ausência de fragilidade. A nossa seiva, a misericórdia de Deus, leva-nos a tornamo-nos dons para os outros, no serviço e na transformação da nossa realidade. 

3. Vinho. Das uvas vem o vinho, sinal da alegria e da eucaristia. O vinho é sinal da alegria, da festa e por excelência da eucaristia. A fidelidade, mesmo no meio das dificuldades, permite a felicidade própria e dos outros. Na eucaristia, o vinho é sinal do sangue derramado por Cristo, como vida que toma sobre si os nossos pecados para os expiar com o seu amor. 

Permanecer em comunhão com Cristo é permanecer em comunhão com a sua Igreja, ou seja, na unidade com os irmãos no mesmo Senhor. Tomemos cuidado para não nos separarmos desta grande fonte, sob o risco da nossa vida poder secar. 

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