Saturday, 1 January 2022

«Ser, amar e adorar» Teilhard de Chardin

 

Photo by Tobias Bjørkli from Pexels



DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR


L 1 Is 60, 1-6; Sal 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13
L 2 Ef 3, 2-3a. 5-6
Ev Mt 2, 1-12 

Neste caminho da celebração do tempo de Natal, contemplamos a revelação que Deus faz de si aos homens em Jesus Cristo. Em Jesus, Deus assume a nossa humanidade e revela o seu amor, até ao limite no mistério da cruz. Nesta etapa somos convidados a olhar para os magos que seguem a estrela que aponta o mistério da luz que o Senhor traz e que vem cumprir a profecia da salvação universal de Deus no livro dos Números 

Esta estrela é seguida por Magos, ou seja pela figuras que não pertencem ao Povo Judeu e que partem ao encontro daquele que é a razão de tudo ser. Começamos a ver aqui a cumprir-se o universalismo do profeta Isaías, que profetiza que viriam de todas as terras colocar-se debaixo da luz que brilha de Jerusalém. Assim são estas figuras, magos que simbolizam toda a humanidade e onde está cada um de nós a quem chegou a voz do Evangelho que nos dá e torna presente na nossa vida o salvador. 

No meio das suas buscas, vêm adorar o Salvador, sem fazer mais perguntas. Só lhes basta saber onde ele está. A nossa vida precisa de saber viver na adoração; a nossa adoração a Deus não é como a prestada aos ídolos nem tão pouco um clamor de palavras repetidas. A adoração significa deixar transbordar do coração a amor que nele vive em acção de graças pelo dom recebido e partilhado e que se não é expressado corre o risco de morrer. É expressão de quem reconhece de que há alguém maior do que nós, cuja presença e ensinamento orienta a nossa vida. Como tal, a adoração é espaço para o crescimento da fé. 

Teilhard de Chardin, no seu livro sobre a vida feliz, coloca que o caminho para a felicidade necessita de três passos: «ser, amar e adorar». 1. Ser, ou seja reconhecer a si mesmo, na sua própria dignidade, no amor recebido, nos desejos que se sentem, no dom que se é; 2. Amar, ou seja, entregar-se com o que se é ao outro, pelo bem do outro; 3. Adorar, reconhecendo que a nossa vida vive de Deus, que é maior do que nós, que nos guia e a quem prestamos a obediência filial para descobrir o amor. 

Quem assim vive descobre como os magos que os caminhos de regresso à vida de cada dia são diferentes daqueles de que partimos e que o nosso coração se dilata para abraçar a humanidade. 

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