Saturday, 1 October 2022

A fé, sustento da vida fiel




DOMINGO XXVII DO TEMPO COMUM


L1: Hab 1, 2-3; 2, 2-4; Sal 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L2: 2 Tim 1, 6-8. 13-14
Ev: Lc 17, 5-10 

A liturgia da palavra deste domingo coloca diante de nós a oportunidade de reflectir sobre a fé. Desde logo compreendemos como a fé se distingue de uma crença vaga numa entidade superior. As leituras colocam como a fé é dinamismo que necessariamente envolve a vida. Não há fé apenas de fim de semana. A primeira leitura narra como o profeta Habacuc, no contexto do exílio da babilónia, diante do sofrimento e da injustiça é convidado a profetizar que a fé é sustento para nos mantermos fieis no meio das tribulações e que se nos deixamos arrastar, caímos. E por isso a fé guarda a capacidade de esperar que o bem aconteça e concorre para isso. 

Semelhante apelo é feito por Paulo a Timóteo, para que este não se deixe levar pelo desânimo, mas que permaneça fiel, não de forma passiva, mas dando testemunho de Jesus, palavra que tem a sua etimologia na palavra martírio. 

No Evangelho a tónica é aprofundada. Ao pedido dos discípulos para lhes ser aumentada a fé, diante da necessidade de dar o perdão de forma livre e constante, Jesus replica com a imagem da fé como grão de mostarda. Não está somente em causa o tamanho da semente, mas sobretudo a sua característica de muito crescer, de modo a se tornar espaço para os outros, onde os pássaros cantam. Assim a fé molda a vida para manter e guardar a atitude fundamental de permanecer ao serviço, não de forma ocasional, mas de forma permanente. É a fé que leva a guardemos no tempo a consciência do dom que recebemos, que somos e que damos.  

No nosso tempo, em que tudo parece ser tão efémero, a fé é realidade importante a testemunhar. É pela fé, que consciência do amor recebido de Deus, que surge o compromisso de testemunhar, mesmo no meio de dificuldades que só assim a vida encontra sentido. 

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