Friday, 7 October 2022

O louvor que se ergue da fé





DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM


L1: 2 Reis 5, 14-17; Sal 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4
L2: 2 Tim 2, 8-13
Ev: Lc 17, 11-19 

"Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus" anuncia o salmo que ouvimos neste Domingo, expressão de louvor que se ergue da boca ao reconhecer as maravilhas que Deus realiza, e que reconhece que a sua acção não se deixa limitar por fronteiras. Assim, todos estamos ligados numa só humanidade. 

Na raiz deste louvor está a fé, que nos possibilita, com a visão que esta inaugura, reconhecer o amor de Deus e empreender caminhos novos. É este o caso do Sírio Naamã que se encontrando doente, parte ao encontro do profeta Eliseu e que diante do convite que este lhe faz de se banhar no Jordão, acaba por assentir após grande hesitação. É a fé, a confiança depositada, que torna possível este passo decisivo para a sua cura e que depois este quer agradecer mediante um sacrifício de louvor. Não é por acaso que os Padres da Igreja aqui leram frequentemente uma tipologia do baptismo, que faz entrar numa vida nova, mas que deve ser cuidada para poder crescer.

A fé nasce desta assimetria do amor de Deus, que sempre tem primazia temporal. Assim, o vemos na acção de Jesus que envia para o templo estes dez leprosos, os quais são excluídos da sociedade, caminho que estes aceitam fazer. Repare-se que é apenas durante o caminho que estes são curados e não logo no início, sinal claro de um percurso feito em desrespeito das normas vigentes, que os mandava estar excluídos. Assim a fé alicerça o início da resposta, de se colocarem em caminho apenas pela confiança na acção da Palavra de Deus, para aí encontrarem a salvação; a resposta surge apenas durante o caminho e não logo no início, como tantas vezes somos tentados. A fé tem a capacidade de fazer pessoas novas, que por amor, aceitam percorrer caminhos novos, tantas vezes em rutpura com os hábitos ou caminhos velhos. 

Mas a fé, que leva à caridade, tem necessidade de ser cantada e celebrada, como são as realidades que na nossa vida lhe dão sentido. Para isso é preciso um coração simples e de criança que saiba cantar sem receios a alegria de se reconhecer amado. 

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