Friday, 14 October 2022

como diante do avesso de um tecido




DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM


L1: Ex 17, 8-13; Sal 120 (121), 1-2. 3-4. 5-6. 7-8
L2: 2 Tim 3, 14 – 4, 2
Ev: Lc 18, 1-8 

A liturgia da Palavra deste Domingo coloca-nos diante da oração. A primeira leitura, do livro de Êxodo, narra o combate de Israel com os Amalecitas, uma tribo rival descendente de Esaú. O combate que aqui se trava é um combate pela sobrevivência dos Israelitas. No foco do combate está Josué, pois Moisés recolhe-se à montanha, lugar de encontro com Deus e coloca a sua vida e do seu povo nas mãos de Deus. Está-se aqui como diante do avesso de um tecido, onde por trás da vida visível, se joga a estabilidade de cada um. 

Moisés coloca a sua vida nas mãos de Deus, mas a imagem fortíssima do cansaço, do peso das dificuldades, tentam-no para deixar cair os braços. Não deixa de ser impressionante como são Aarão e Hur que lhe sustentam os braços. De facto, a nossa vida de oração não está apenas dependente do eu, mas precisa de ser acontecer também em comunidade. 

O evangelho continua esta dinâmica da persistência na oração. Esta mulher frágil, viúva, clama a quem sabe que lhe pode ajudar. Na ironia da motivação, o juiz iníquo atende a mulher para se livrar dela; de facto, é essencial à oração a consciência da assimetria entre Deus e a criatura, por reconhecermos que é de Deus que toda a vida provém. 

Mas a grande base onde toda a experiência orante cristã assenta, qual rocha onde Moisés se senta, está na fidelidade de Deus, que na experiência bíblica é outro nome para dizer que Deus é a Verdade. Deus é fiel, e na oração erguida por amor dos outros e da justiça, Deus não deixará de manifestar a sua presença na condução da história. 

Como tal, mais que a mera recitação de palavras que tentam convencer Deus, a oração emerge da confiança filial daquele que confia no amor do Pai, que não deixará de dar o seu Espírito, como sinal perene da vida que nos é dada pelo baptismo. 

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