Friday, 1 March 2024

A casa da Igreja, da qual somos no nosso corpo.

 Photo by Ott Maidre from Pexels



DOMINGO III DA QUARESMA

L 1 Ex 20, 1-17 ou Ex 20, 1-3. 7-8. 12-17; Sal 18 (19), 8. 9. 10. 11
L 2 1 Cor 1, 22-25
Ev Jo 2, 13-25 

A leituras deste Domingo centram-nos no episódio da purificação do templo de Jerusalém feita por Jesus. Este episódio não se trata de um acesso de raiva de Jesus como poderíamos à primeira vista supor. Ele já teria visto aquele ambiente muitas outras vezes. Como sempre, existe a importância de um "sinal", palavra que no Evangelho de João, também descreve os milagres de Jesus. Como tal, estamos diante de algo maior. Aqueles animais que ali se vendiam eram destinados aos sacrifícios do templo. Jesus, ao faze-lo, está a apresentar-se como a nova vítima, como sinal para nós no seu corpo, que nos faz entrar em comunhão com Deus. 

Assim é por Jesus, pelo seu corpo, na sua morte e ressurreição, que entramos no templo, na verdadeira casa de Deus. Fazemos parte deste Corpo que é a Igreja, cuja entrada se dá por meio do batismo, como sinal que nos associa a Jesus Cristo. É pela cruz do Senhor, não pelos outros sinais ou milagres, ou pela sabedoria deste mundo que somos introduzidos na vida nova. É nisto que colocamos a nossa fé, como realidade assimétrica, onde Jesus nos conhece, sabendo que tantas vezes falhamos e trocamos o criador pela criatura, mas onde somos sempre capazes de acolher o mistério de Deus. 

Esta consciência do dom recebido de Deus faz-nos entender a vida da Igreja como casa, não como loja de comércio. Em casa, o que conta são as relações, é a intimidade dada e partilhada, onde o mal deixa marcas, como ouvíamos a primeira leitura que nos falava do mal dos pais que alcançava os filhos, mas onde a misericórdia é sempre maior e mais duradoira. É nesta casa que entramos com o nosso corpo, no Corpo da Igreja que é Cristo, que somos chamados a descansar em Deus, como meta de toda a nossa vida, a deixar-nos abençoar por Deus. 

Ver a Igreja como casa livra-nos a lógica do mero funcionalismo pastoral, que despersonaliza a vida, e orienta-nos para a comunhão que faz encher o coração.  

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