DOMINGO V DA QUARESMA
L 1 Jer 31, 31-34; Sal 50 (51), 3-4. 12-13. 14-15
L 2 Hebr 5, 7-9
Ev Jo 12, 20-33
Celebramos este Domingo V da quaresma na visão da Páscoa, onde celebramos o dom da entrega de Jesus por nós. É a nova aliança a acontecer, já não mediante sinais externos, nem com tábuas da Lei. Tudo isso existe, mas existe agora uma nova experiência que Jeremias profetiza: Deus fará aliança no coração e no íntimo da alma, sinais que remetem para a inteligência e vida da humanidade, na sua identidade. Reparemos que esta experiência brota da misericórdia de Deus, que leva ao conhecimento humano de Deus. Não estamos a falar apenas de uma experiência externa, mas de algo que remete para um conhecimento íntimo. É a experiência de fé que envolve toda a pessoa.
É esta mesma experiência que os gregos querem fazer no contacto com Jesus: Eles querem ver quem é Jesus, a sua identidade e não apenas uma visão exterior. A este desejo profundo de toda a humanidade, Jesus afirma o início da sua hora, do início da sua entrega por todo nós, descrito como uma semente que morre para que faça germinar mais vida. O sofrimento da entrega é feito gratuitamente para fazer acontecer mais vida. E logo, os gregos e nós, somos associados a esta mesma entrega. Onde nos estamos a entregar ou a querer ficar com a vida fechada?
A ação será todavia da iniciativa de Jesus: a sua hora será
- Da sua glorificação, ou seja, da sua entrega por nós em comunhão com o Pai, na força do Espírito.
- Do julgamento deste mundo, sendo que Jesus não veio para condenar, mas sobretudo para iniciar o mundo a viver na lógica do amor que se dá
- Da início da expulsão do mal, como tudo aquilo que desagrega a ordem e o bem para início o novo Reino de Deus.
S. João da Cruz, na sua experiência mística, viu a cruz de Cristo, não a partir da imagem de frente, mas segundo a perspetiva do Pai, na qual o Filho está entre o Céu e a terra como Verdadeiro mediador e sacerdote. Por esta cruz, todos nós podemos estar em comunhão com Deus.

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