Thursday, 28 March 2024

O Senhor ressuscitou!

  



DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

L1: At 10, 34a. 37-43; Sal 117 (118), 1-2. 16ab-17. 22-23
L2: Col 3, 1-4 ou 1 Cor 5, 6b-8
Ev: Jo 20, 1-9


Celebramos o Domingo de Páscoa do Senhor, da vitória do amor de Deus sobre a morte e a injustiça. Diz a sequência pascal deste dia: «A morte e a vida travaram um admirável combate: depois de morto, vive e reina o Autor da vida.» O mistério pascal de Cristo constitui para nós a referência central da nossa fé, onde o testemunho do amor de Deus é levado ao extremo. Deus, que cria todas as coisas no Seu Filho, renova-nos na morte e ressurreição de Jesus.  

Abraçar a cruz de Cristo é por isso assumir e confiar que os limites da nossa existência não têm a última palavra, mas dá-nos a experiência de que o Bem é mais forte que o poder das trevas. Pedro explica na casa de Cornélio, como ouvíamos na primeira leitura, que Jesus viveu com a força do Espírito Santo, ou seja, com o seu dinamismo, que o tornou capaz de fazer acontecer o bem. E é desta grande vitória que nós somos testemunhas e que agora anunciamos. Para nós hoje esta vitória alcança-nos pelo Espírito Santo, que é derramado nos nossos corações, para testemunharmos a sua força em nós. 

A ressurreição não é por isso apenas uma reanimação. É uma nova forma de vida, que não nasce de uma vitória sobre a humanidade, mas que fica como uma fonte sempre corrente, da qual nos é dado beber de uma água nova para transformar os sentimentos do nosso coração. Nada em nós em negado, sendo que a vida com Cristo gera uma nova disposição de coração, para Deus e para aqueles que percorrem o nosso dia-a-dia. 

O Evangelho que escutamos hoje referia várias vezes os olhares que se cruzam com o sepulcro, como um convite a aprofundarmos a fé para que esta alcance o nosso coração e a nossa inteligência, e se torne uma experiência de Deus transformadora.

Em primeiro lugar surge Maria Madalena, que vai ao sepulcro, e vê (Blepo), observa, ainda no escuro, a pedra removida; este é um ver de fora, sem tentar compreender o que ali se passou. Surgem depois os discípulos, em que Pedro segue o discípulo predileto, aquele que tinha estado junto à cruz. Este ver de Pedro (theoreo), é um ver de quem teoriza, é um olhar que reconhece sinais admiráveis e formula o que pode ter acontecido, que se questiona diante do enigma – “o que aconteceu?” -, mas que ainda não gera confiança. Já o discípulo predilecto vê (idein), consegue ver os sinais do crucificado na sua identidade e, por isso diz o texto, começa a acreditar, ou seja, começa a entrar na alegria do Senhor, que venceu a morte e o mal. 

Mas este relato é um relato que tem por objetivo entrar no coração do mistério de Cristo. É por isso que o Evangelho de João voltará a Maria Madalena, que posteriormente ao encontro com Cristo, no qual foi tratada pelo seu nome: "Maria!" vai testemunhar com alegria, "Eu vi o Senhor". Todavia, esta é a visão do coração (horao), e por isso anuncia Cristo a partir da luz que a acompanha dentro de si . 

É este anúncio que nasce da boca dos apóstolos e da Tradição da Igreja. Cristo morreu e ressuscitou por nós, para que acreditássemos nele e pudéssemos fazer a experiência de uma renovada forma de vida. É aqui que se enraíza a alegria cristã, como ocasião para entrar e renovar a nossa vida. 


No comments:

Post a Comment