DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR
L1: At 10, 34a. 37-43; Sal 117 (118), 1-2. 16ab-17. 22-23
L2: Col 3, 1-4 ou 1 Cor 5, 6b-8
Ev: Jo 20, 1-9
Celebramos o Domingo de Páscoa do
Senhor, da vitória do amor de Deus sobre a morte e a injustiça. Diz a sequência
pascal deste dia: «A morte e a vida travaram um admirável combate: depois de
morto, vive e reina o Autor da vida.» O mistério pascal de Cristo constitui
para nós a referência central da nossa fé, onde o testemunho do amor de Deus é
levado ao extremo. Deus, que cria todas as coisas no Seu Filho, renova-nos na
morte e ressurreição de Jesus.
Abraçar a cruz de Cristo é por isso
assumir e confiar que os limites da nossa existência não têm a última palavra,
mas dá-nos a experiência de que o Bem é mais forte que o poder das trevas.
Pedro explica na casa de Cornélio, como ouvíamos na primeira leitura, que Jesus
viveu com a força do Espírito Santo, ou seja, com o seu dinamismo, que o tornou
capaz de fazer acontecer o bem. E é desta grande vitória que nós somos
testemunhas e que agora anunciamos. Para nós hoje esta vitória alcança-nos pelo
Espírito Santo, que é derramado nos nossos corações, para testemunharmos a sua
força em nós.
A ressurreição não é por isso
apenas uma reanimação. É uma nova forma de vida, que não nasce de uma vitória
sobre a humanidade, mas que fica como uma fonte sempre corrente, da qual nos é
dado beber de uma água nova para transformar os sentimentos do nosso coração.
Nada em nós em negado, sendo que a vida com Cristo gera uma nova disposição de
coração, para Deus e para aqueles que percorrem o nosso dia-a-dia.
O Evangelho que escutamos hoje
referia várias vezes os olhares que se cruzam com o sepulcro, como um convite a
aprofundarmos a fé para que esta alcance o nosso coração e a nossa
inteligência, e se torne uma experiência de Deus transformadora.
Em primeiro lugar surge Maria
Madalena, que vai ao sepulcro, e vê (Blepo), observa, ainda no escuro, a pedra removida; este é um ver de
fora, sem tentar compreender o que ali se passou. Surgem depois
os discípulos, em que Pedro segue o discípulo predileto, aquele que tinha
estado junto à cruz. Este ver de Pedro (theoreo), é um ver de quem
teoriza, é um olhar que reconhece sinais admiráveis e formula o que pode ter
acontecido, que se questiona diante do enigma – “o que aconteceu?” -, mas que ainda não gera confiança. Já o
discípulo predilecto vê (idein), consegue ver os sinais do crucificado
na sua identidade e, por isso diz o texto, começa a acreditar, ou seja, começa
a entrar na alegria do Senhor, que venceu a morte e o mal.
Mas este relato é um relato que tem
por objetivo entrar no coração do mistério de Cristo. É por isso que o Evangelho
de João voltará a Maria Madalena, que posteriormente ao encontro com Cristo, no
qual foi tratada pelo seu nome: "Maria!" vai testemunhar com alegria,
"Eu vi o Senhor". Todavia, esta é a visão do coração (horao),
e por isso anuncia Cristo a partir da luz que a acompanha dentro de si
.
É este anúncio que nasce da boca
dos apóstolos e da Tradição da Igreja. Cristo morreu e ressuscitou por nós,
para que acreditássemos nele e pudéssemos fazer a experiência de uma renovada
forma de vida. É aqui que se enraíza a alegria cristã, como ocasião para entrar
e renovar a nossa vida.

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