DOMINGO XI DO TEMPO COMUM
L 1 Ez 17, 22-24; Sl 91 (92), 2-3. 13-14. 15-16
L 2 2Cor 5, 6-10
Ev Mc 4, 26-34
A liturgia da Palavra do domingo XI coloca-nos a entrar na lógica do Reino de Deus, como espaço de encontro com o Pai. Há algo que marca toda a vida, como dom que vem de Deus. A vida emerge e Deus, na sua bênção, faz crescer. A primeira leitura expressa esta imagem na imagem do ramo do cedro, que separado por Deus não seca, mas cresce num local alto e se expande para acolher "todas" as aves. Notámos que a promessa do Senhor é clara: "eleva a árvore modesta".
O caminho do crescimento passa sempre pela lógica da humildade, da capacidade de acolher, a qual é abençoada por Deus. Percebemos isso apenas do ponto de vista humano: só se desenvolve aquele que compreende que ainda não é tudo, mas espera e age. O mesmo se traduz na fé, que aguarda a bênção de Deus. É esta humildade que nos faz entrar na sabedoria das pequenas, mas contínuas decisões, que sempre sustentam sempre as grandes decisões que vamos fazendo. O Reino de Deus, como se depreende das leituras que ouvíamos no evangelho, é para ser vivido no rebuliço dos dias, onde cada um percorre um caminho único.
Notamos que em Deus tudo cresce e se vai transformando e nada fica estático. É uma lógica de progresso e de amadurecimento, como vemos na descrição da imagem agrícola, da semente que é lançada, cresce e frutifica e se torna alimento para a humanidade. E embora hoje expliquemos o como a semente cresce, a pergunta pelo sentido permanece sempre atual, pois a vida nunca se estagna, mas precisa de se desenvolver.
Esta é imagem de Cristo, a Palavra feita semente, lançada à terra ao assumir a nossa humanidade, crescendo no anúncio do Reino, e no Seu mistério Pascal torna-se para nós dom de vida Nova. E desta pequena semente, como a de mostarda, somos nós hoje estas aves que encontram abrigo na vida do Senhor, e se alimentam na sua Palavra.
Mas esta consciência é também profundamente missionária: Vivemos à luz da fé e não da visão clara, e o Bem que recebemos é chamado a se propagar para os outros, tornando-se a Igreja neste grande espaço de acolhimento e crescimento. Não podemos ser Igreja no Reino de Deus sem ter o desejo de querer ser mais. É assim em toda a nossa vida: pessoal, profissional, comunitária. A palavra que recebemos não morra em nós, mas frutifique em bem para os demais, tornando-nos acolhedores da humanidade que procura o Senhor.

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