DOMINGO XII DO TEMPO COMUM
L 1 Jb 38, 1. 8-11; Sl 106 (107), 23-24. 25-26. 28-29. 30-31
L 2 2Cor 5, 14-17
Ev Mc 4, 35-41
Celebramos este domingo XII do Tempo Comum com os olhos postos de forma contemplativa na ação de Deus no meio das dificuldades da nossa vida. Assim o ouvimos tanto no Livro de Job, como no relato do Evangelho. A primeira leitura sublinha-nos a revelação de Deus no meio da tempestade a Job, no meio do seu sofrimento. Deus interpela este homem, na sua condição, a não se voltar apenas para a sua dor, a qual era imensa, mas a deixar tocar pela beleza da criação e a reconhecer-se como integrante da Ordem da Criação. Notemos que é no final deste relato que Job faz a experiência de professar a experiência pessoal de Deus.
É no meio da tormenta que o Evangelho também nos coloca. Jesus chama os discípulos a entrar na barca e a fazer a travessia para a outra margem. Nesta travessia, desenvolve-se o episódio da crise que os discípulos enfrentam diante da tribulação e do perigo de vida. Jesus permanece sereno na popa, ou seja no comando, mas é despertado pelos gritos dos discípulos que se sentem sozinhos na tribulação. Novamente, a resposta de Jesus revela-o como Senhor da Criação, cuja palavra é criadora e renovadora. A esta ação de Deus, surge a resposta de um temor, de um medo reverencial do poder do Senhor.
Este texto é fundamental na vida da Igreja, mesmo na atualidade. Em primeiro lugar, a imagem da barca é tradicionalmente a imagem da Igreja, que atravessa os tempos no meio de dificuldades, mas na qual é chamada a guardar o tesouro da fé. Mas a pergunta de Jesus é a pergunta que também nos é dirigida a nós. No meio das dificuldades e contrariedades, onde está a fé que depositamos na ação de Deus? Como é óbvio, não se trata da fé em conteúdos, mas da confiança de que a nossa existência como humanidade e comunidade eclesial permanece sob o olhar de Deus.
É esta mesma fé que nos faz reconhecer que pertencemos a esta barca e que somos membros do mesmo Corpo de Cristo, chamados a testemunhar o amor de Deus. E é sempre do reconhecimento deste amor, como nos recordava Paulo, que a Igreja se anima para viver. É desta transformação, que gera nova mentalidade, que se forma em nós uma nova criatura que aceita o limite da existência e a missão confiada e vivida com a vida, por saber que foi tocada por Cristo.

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