Saturday, 8 June 2024

Na Casa de Jesus




DOMINGO X DO TEMPO COMUM


L 1 Gn 3, 9-15; Sl 129 (130), 1-2. 3-4ab. 4c-6. 7-8
L 2 2Cor 4, 13 – 5, 1
Ev Mc 3, 20-35 

A liturgia deste Domingo coloca diante de nós uma oposição demarcada entre dois polos, o bem e o mal. De facto, o contacto entre estes duas vertentes marcam a nossa existência. Como vemos, o livro do Génesis descreve a origem do mal num mundo criado bom, como a tentativa do homem superar Deus e aqueles que estão ao seu lado. Aspeto importante: a ação do mal afasta a humanidade de Deus ao induzir o medo, assim como gera a rivalidade e desconfiança entre aqueles chamados à comunhão. Na tradição da Igreja, o mal moral é personalizado na figura da serpente. 

Jesus vem para refazer a ligação da humanidade com Deus no dom da sua vida. As "multidões" acorrem a Ele para encontrarem o bem que necessitam para a sua vida. Bem gratuito e dado incondicionalmente. É a caridade em ação, revelando um amor de Deus que supera os esquemas mais mesquinhos, de um Deus que dá sem limites, até ao fim de si mesmo. 

O drama estão naqueles que desconfiam do bem gratuito realizado e dado, acusando-o de mal disfarçado. O mal não é capaz de fazer crescer o bem, pois somente aumenta a divisão. Só sobre a verdade, a caridade e o bem é capaz de crescer a vida vivida. E é isso que Jesus denuncia nos seus interlocutores, que não reconhecem o bem feito gratuitamente e assim deixam-se ficar fechados e sem possibilidade de entrar na vida. Só com humildade é que se entra na lógica de Deus. Caso contrário, peca-se contra o Espírito Santo. Na Tradição da Igreja identificaram-se seis pecados contra o Espírito Santo: 

1. Desesperação da salvação;
2. Presunção da salvação;
3. Contradizer conscientemente a verdade revelada para poder pecar com maior liberdade;
4. Ter inveja das graças que Deus dá a outra pessoa;
5. Obstinar-se no pecado – quem peca por malícia e deseja permanecer no pecado;
6. Impenitência final – é o caso de alguém que não se arrepende do mal praticado.


Todos estas realidades expressam a indisponibilidade para Deus poder transformar e curar a humanidade. 

Tal como os de ontem, também hoje corremos o risco de estar alheados da ação de Deus, fechados em esquemas de nos impedem de reconhecer o bem e de sair de lógicas de mal. Mas também hoje, somos chamados a nos deixarmos renovar e a confiar em Deus, e a procura a pertença à Sua família, daqueles que procuram pôr em prática a Palavra de Deus. De facto, é no rebuliço dos dias que nos é dada . oportunidade de viver, onde tantas vezes temos dificuldades em distinguir o bem do mal, que podemos optar, ainda com tantas fragilidades a estar na casa de Jesus. 


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