Friday, 14 March 2025

Chamados à missão como gente transfigurada!




DOMINGO II DA QUARESMA



L 1 Gn 15, 5-12. 17-18; Sl 26 (27), 1. 7-8. 9abc. 13-14
L 2 Flp 3, 17 – 4, 1 ou Flp 3, 20 – 4, 1
Ev Lc 9, 28b-36


Celebramos hoje o mistério da Transfiguração do Senhor no nosso caminho quaresmal, que é celebrado sempre no segundo domingo da Quaresma. No entanto, a cada ano, por meio de cada evangelista, há sempre aportes específicos que nos ajudam a compreender melhor o Mistério de Cristo.

O texto do Evangelho é enquadrado pela primeira leitura, que nos apresenta a aliança que Deus estabelece com Abrão, uma iniciativa divina. Esta aliança consiste na promessa da presença de Deus e na fecundidade da vida do seu escolhido. É com base nesta promessa que Abrão parte e deixa a sua terra, sustentado por uma esperança cuja fidelidade vem de Deus.

A aliança narrada hoje reflete esse princípio: os animais são dispostos por Abrão e cortados ao meio, seguindo a mentalidade da época. O ritual simbolizava que, caso alguma das partes quebrasse a aliança, sofreria o mesmo destino dos animais. Normalmente, ambas as partes passavam pelo meio dos animais, selando o compromisso. No entanto, neste caso, apenas Deus passa, como sinal de que a aliança depende exclusivamente d’Ele, que assegura a sua fidelidade.

É desta esperança que se alimenta a vida de Abraão, tornando-se fecunda para muitos e servindo como exemplo de fé.

O Evangelho apresenta-nos a Transfiguração de Jesus, que inaugura uma nova aliança. No meio de Elias e Moisés, surge Jesus Cristo, revestido da glória da ressurreição. Ele apresenta-se como o portador desta nova aliança, assumindo a Lei, simbolizada em Moisés, e os Profetas, representados pela figura de Elias.

Contudo, há vários aspetos importantes para os discípulos:

  1. Os discípulos sobem com Jesus para orar. O tempo da Quaresma é sempre uma ocasião para dedicar mais tempo à oração, à contemplação de Cristo. Como dizíamos a semana passado, não se trata de repetir palavras para ser atendido, mas aprender a escutar o Senhor que nos fala, como termina o episódio da Transfiguração que escutávamos hoje.
  2. Os discípulos testemunham a Transfiguração de Jesus, que serve para lhes dar esperança em meio às tribulações da cruz, mas também, e sobretudo, para lhes apresentar a meta da vida cristã: um caminho de transfiguração, no qual somos chamados a ser cada vez mais sinais de Cristo ressuscitado.
  3. O encontro com Cristo, mesmo quando nos perturba pela verdade que nos revela, não nos deve paralisar. Pelo contrário, é essencial, mas deve impulsionar-nos a imitar a vida do Mestre, que, em missão, anuncia e testemunha. No entanto, este não é um caminho de moralismo, mas sim um caminho de esperança, sustentado no amor de Deus.

Assim, caminhamos na esperança do encontro com Deus. Neste percurso, contamos com a força do Espírito e da Palavra de Deus, pois apenas Cristo nos indica o caminho para viver de forma transformada o nosso amor por Ele, o único que tem palavras de vida eterna.

Que os nossos passos sejam cada vez mais transformados, tornando-se um verdadeiro testemunho da paz que só Cristo nos pode dar.

No comments:

Post a Comment