Friday, 21 March 2025

Uma conversão para dar frutos

 


DOMINGO III DA QUARESMA


L 1 Ex 3, 1-8a. 13-15; Sl 102 (103), 1-2. 3-4. 6-7. 8 e 11
L 2 1Cor 10, 1-6. 10-12
Ev Lc 13, 1-9

 

Vivemos este tempo da Quaresma, a caminho da Páscoa, como um convite a uma conversão permanente, ou seja, a uma verdadeira transformação da nossa vida.

O caminho da conversão na nossa vida acontece, muitas vezes, de forma lenta, sabendo que somos chamados à fidelidade todos os dias. No entanto, para viver bem esta experiência tão essencial, é necessário fazê-lo por amor, com um objetivo maior, e não apenas por medo do desânimo ou do castigo. Quando a mudança na nossa vida não acontece por amor, acabamos por ficar aprisionados na nossa própria liberdade e capacidade de escolha.

A nossa resposta é sempre dada a Deus, que, como ouvimos na primeira leitura, vê o sofrimento humano, deseja a salvação e envia alguém. Assim, a sarça ardente, que arde sem se consumir, torna-se para Moisés um sinal da presença de Deus, um fogo que ilumina, mas que não destrói aqueles que são tocados por Ele. Notamos ainda que a forte experiência de Deus vivida por Moisés acontece precisamente com uma missão: ser instrumento da libertação divina, para que se cumpra a promessa de Deus. Assim, Deus sai de si para ir ao encontro da humanidade, algo fundamental na lógica bíblica, que manifesta o seu amor pela criação e nos mostra que também nós somos chamados a ser testemunhas da salvação de Deus para os outros.

Sabemos, no entanto, que a missão de Moisés não será fácil. Ele enfrentará muitas dificuldades, sinal de que a missão que Deus nos dá não elimina os desafios, mas antes nos acompanha ao longo do caminho para o qual somos enviados. Assim, a nossa conversão está sempre orientada para a missão.

O Evangelho deste domingo expressa essa mesma realidade. Jesus rejeita associar os castigos de Deus a injustiças humanas ou a acidentes graves, mas apela à conversão como mudança de estilo de vida. E aqui Jesus toca num ponto fundamental: a necessidade de conversão para todos, independentemente do nosso estado de vida ou até da ideia errada de que já não precisamos de nos converter. De facto, a experiência mostra-nos que os santos são precisamente aqueles que mais compreendem a sua necessidade contínua de conversão.

Jesus concretiza esta lógica da conversão através da parábola da figueira que, não dando frutos, "não precisa de ocupar a terra em vão". A imagem da parábola é forte: por um lado, mostra-nos que a conversão da nossa vida deve traduzir-se em frutos de boas obras, no bem que fazemos pelos nossos irmãos, seja no trabalho, na vida pessoal ou na dedicação com que nos entregamos aos que mais precisam. Mas também nos revela que o agricultor está disposto a cuidar e a adubar uma árvore que não dá frutos há três anos, sinal da misericórdia de Deus, que nos acompanha ao longo da nossa existência.

Que esta consciência da misericórdia divina seja sempre um apelo à esperança, convidando-nos a uma conversão de vida cada vez maior, onde a vivência do bem nos torne, cada vez mais, sinais do amor de Deus.

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