DOMINGO III DA
QUARESMA
L 1 Ex 3, 1-8a. 13-15; Sl 102 (103), 1-2. 3-4. 6-7. 8 e 11
L 2 1Cor 10, 1-6. 10-12
Ev Lc 13, 1-9
Vivemos este tempo da Quaresma, a
caminho da Páscoa, como um convite a uma conversão permanente, ou seja, a uma
verdadeira transformação da nossa vida.
O caminho da conversão na nossa
vida acontece, muitas vezes, de forma lenta, sabendo que somos chamados à
fidelidade todos os dias. No entanto, para viver bem esta experiência tão
essencial, é necessário fazê-lo por amor, com um objetivo maior, e não apenas
por medo do desânimo ou do castigo. Quando a mudança na nossa vida não acontece
por amor, acabamos por ficar aprisionados na nossa própria liberdade e
capacidade de escolha.
A nossa resposta é sempre dada a
Deus, que, como ouvimos na primeira leitura, vê o sofrimento humano, deseja a
salvação e envia alguém. Assim, a sarça ardente, que arde sem se consumir,
torna-se para Moisés um sinal da presença de Deus, um fogo que ilumina, mas que
não destrói aqueles que são tocados por Ele. Notamos ainda que a forte
experiência de Deus vivida por Moisés acontece precisamente com uma missão: ser
instrumento da libertação divina, para que se cumpra a promessa de Deus. Assim,
Deus sai de si para ir ao encontro da humanidade, algo fundamental na lógica
bíblica, que manifesta o seu amor pela criação e nos mostra que também nós
somos chamados a ser testemunhas da salvação de Deus para os outros.
Sabemos, no entanto, que a missão
de Moisés não será fácil. Ele enfrentará muitas dificuldades, sinal de que a
missão que Deus nos dá não elimina os desafios, mas antes nos acompanha ao
longo do caminho para o qual somos enviados. Assim, a nossa conversão está
sempre orientada para a missão.
O Evangelho deste domingo
expressa essa mesma realidade. Jesus rejeita associar os castigos de Deus a
injustiças humanas ou a acidentes graves, mas apela à conversão como mudança de
estilo de vida. E aqui Jesus toca num ponto fundamental: a necessidade de
conversão para todos, independentemente do nosso estado de vida ou até da ideia
errada de que já não precisamos de nos converter. De facto, a experiência
mostra-nos que os santos são precisamente aqueles que mais compreendem a sua
necessidade contínua de conversão.
Jesus concretiza esta lógica da
conversão através da parábola da figueira que, não dando frutos, "não
precisa de ocupar a terra em vão". A imagem da parábola é forte: por um
lado, mostra-nos que a conversão da nossa vida deve traduzir-se em frutos de
boas obras, no bem que fazemos pelos nossos irmãos, seja no trabalho, na vida
pessoal ou na dedicação com que nos entregamos aos que mais precisam. Mas
também nos revela que o agricultor está disposto a cuidar e a adubar uma árvore
que não dá frutos há três anos, sinal da misericórdia de Deus, que nos
acompanha ao longo da nossa existência.
Que esta consciência da
misericórdia divina seja sempre um apelo à esperança, convidando-nos a uma
conversão de vida cada vez maior, onde a vivência do bem nos torne, cada vez
mais, sinais do amor de Deus.

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