DOMINGO I DA QUARESMA
L 1 Dt 26, 4-10; Sl 90 (91), 1-2. 10-11. 12-13. 14-15
L 2 Rm 10, 8-13
Ev Lc 4, 1-13
O tempo da Quaresma é um tempo que nos é dado para vivermos como um caminho
de preparação e de redescoberta do essencial: a comunhão com Deus. Esta
comunhão não é algo adquirido de uma vez para sempre; pelo contrário, deve ser
cuidada e estimada. A primeira leitura enfatiza precisamente isto: o apelo a
não esquecer o que Deus operou, a preservar o amor e a salvação recebida. Como
é importante recordar de que forma os momentos com Deus nos marcaram!
Também neste sentido, São Paulo exortava os Romanos a cuidar da fé como um
dom recebido e, por isso, a velar pelo coração, símbolo da inteligência. A fé
precisa de crescer e amadurecer em nós, não só para ganhar razões, mas também
para não ficar isolada da nossa vida quotidiana. Assim, podemos professar a fé
através das nossas ações e das nossas palavras. De facto, aquilo que cultivamos
no coração será sempre o que transbordará para o exterior.
Vemos isso na vida de Jesus, que é enviado ao deserto — imagem do lugar das
dificuldades — e passa pelas tentações do Diabo, aquele que vem para dividir e
separar, antes de mais, de Deus, mas também dos outros e até de nós próprios.
Sabemos bem que as dificuldades tocam a nossa vida de uma forma ou de outra, e
é precisamente nesses momentos que também nós somos tentados. Com efeito, é
sobretudo nos períodos de provação que a tentação nos atinge mais fortemente.
Jesus, como Filho de Deus, enfrenta três tentações que também nós vivemos:
1. A tentação
da fome – Jesus é tentado a usar a sua condição de Filho de Deus para saciar a
própria fome, transformando pedras em pão. No entanto, Ele, que multiplicará os
pães, não o faz em benefício próprio, mas centra a sua vida na Palavra de Deus.
Esta tentação recorda-nos que a Palavra de Deus é o nosso verdadeiro alimento,
trazendo-nos força para o caminho.
2. A tentação
do poder – O poder usado para conquistar tudo, mas à custa de se prostrar diante do
mal e da injustiça. Quantas vezes, no nosso tempo, se recorrem a todos os meios
para alcançar poder, apenas para depois sucumbir ao domínio do mal, onde a
dignidade humana deixa de ser respeitada. O verdadeiro poder da nossa vida deve
sempre vir da força da Verdade e do culto prestado a Deus, que nos salva.
3. A tentação
do sucesso fácil e deslumbrante – A resposta de Jesus ao mal é
clara: Deus nunca deve ser tentado. Não devemos colocá-Lo à prova, como tantas
vezes acontece nos nossos dias, quando a Verdade parece ser distorcida para
alcançar um sucesso fácil e o desejo de reconhecimento. Na realidade, estamos
sempre a caminho, e cada dia é-nos dada a oportunidade de testemunhar o amor de
Deus no meio de tantas contradições.
Que saibamos, nesta Quaresma, guardar e cuidar do amor de Deus, conscientes
de que o caminho ao qual somos chamados é feito de paciência, confiança na ação
divina e misericórdia para com todos.

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