DOMINGO IV DA PÁSCOA
L1: At 13, 14. 43-52; Sal 99 (100), 2. 3. 5
L2: Ap 7, 9. 14b-17
Ev: Jo 10, 27-30
Celebramos
o IV Domingo da Páscoa fazendo memória de Cristo, o Bom Pastor, e em união com
toda a Igreja na oração pelas vocações. Mas a vocação não é, antes de mais, uma
realidade de apenas alguns poucos. É um chamamento que Deus faz a toda a
humanidade, que reconhece em Jesus Cristo o seu Pastor.
No
primeiro momento, vemos a dinâmica da missão da Igreja: Paulo e Barnabé
colocam-se a caminho e, aí, procuram os judeus na sinagoga. Mas, na semana
seguinte, vemos a transformação: de um espaço fechado, a comunidade abre-se a
toda a cidade, independentemente do estilo de vida de cada um. Os apóstolos
anunciam, e as multidões são atraídas pela força da Palavra. A primeira marca é
precisamente a da universalidade da fé. Na quinta-feira, ouvimos o novo Papa
Leão apelar precisamente a isto: paz para toda a terra, paz desarmada e desarmante.
Mas
este sentido de família alargada é também novamente notado no livro do
Apocalipse, que nos apresenta uma grande multidão que segue o Cordeiro,
precisamente imagem de Cristo que se entrega: é uma multidão com palmas e
túnicas brancas, sinal das dificuldades e do martírio, e as túnicas brancas
sinal de Jesus Cristo. Branqueiam as túnicas no sangue do Cordeiro, ou seja,
são purificadas por Jesus Cristo, na sua entrega pela reconciliação da
humanidade.
Mas o
foco desta liturgia está precisamente em Jesus Cristo. Ele apresenta-se como o
bom e belo Pastor, que é enviado para guiar o povo. Para isso, precisamos de
ouvir – ou aprender a ouvir – a voz de Cristo, quer na Escritura, quer também
no serviço aos mais pobres.
Nesta
Semana das Vocações, dizia o Papa Francisco, que «O recolhimento permite
compreender que todos podemos ser peregrinos de esperança, se fizermos da nossa
vida um dom, especialmente ao serviço daqueles que habitam as periferias
materiais e existenciais do mundo.» De facto, a oração nunca nos tira do mundo.
Como ele continua: «Quem se põe a escutar Deus que chama não pode ignorar o
grito de tantos irmãos e irmãs que se sentem excluídos, feridos e abandonados.
Cada vocação abre para a missão de ser presença de Cristo onde mais se sente
necessidade de luz e consolação. Em particular, os fiéis leigos são chamados a
ser “sal, luz e fermento” do Reino de Deus, através do empenho social e
profissional.»
Caros
irmãos, hoje, como sempre, a fé que nasce da escuta abre-nos aos outros. Viver
a vocação é precisamente isto: viver animado pelo amor de Deus, mas atentos
àqueles que nos rodeiam. E a nossa acção pode ser a da caridade visível, mas
também a de ajudar as novas gerações a encontrarem o sentido da sua vida, que é
precisamente a sua vocação, para que, nos altos e baixos da vida, a sua pedra
de apoio seja sempre Jesus Cristo, o nosso Bom Pastor que nos guia.

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