Friday, 9 May 2025

Vocação em Cristo é para todos!

 




DOMINGO IV DA PÁSCOA


L1: At 13, 14. 43-52; Sal 99 (100), 2. 3. 5
L2: Ap 7, 9. 14b-17
Ev: Jo 10, 27-30 


Celebramos o IV Domingo da Páscoa fazendo memória de Cristo, o Bom Pastor, e em união com toda a Igreja na oração pelas vocações. Mas a vocação não é, antes de mais, uma realidade de apenas alguns poucos. É um chamamento que Deus faz a toda a humanidade, que reconhece em Jesus Cristo o seu Pastor.

No primeiro momento, vemos a dinâmica da missão da Igreja: Paulo e Barnabé colocam-se a caminho e, aí, procuram os judeus na sinagoga. Mas, na semana seguinte, vemos a transformação: de um espaço fechado, a comunidade abre-se a toda a cidade, independentemente do estilo de vida de cada um. Os apóstolos anunciam, e as multidões são atraídas pela força da Palavra. A primeira marca é precisamente a da universalidade da fé. Na quinta-feira, ouvimos o novo Papa Leão apelar precisamente a isto: paz para toda a terra, paz desarmada e desarmante.

Mas este sentido de família alargada é também novamente notado no livro do Apocalipse, que nos apresenta uma grande multidão que segue o Cordeiro, precisamente imagem de Cristo que se entrega: é uma multidão com palmas e túnicas brancas, sinal das dificuldades e do martírio, e as túnicas brancas sinal de Jesus Cristo. Branqueiam as túnicas no sangue do Cordeiro, ou seja, são purificadas por Jesus Cristo, na sua entrega pela reconciliação da humanidade.

Mas o foco desta liturgia está precisamente em Jesus Cristo. Ele apresenta-se como o bom e belo Pastor, que é enviado para guiar o povo. Para isso, precisamos de ouvir – ou aprender a ouvir – a voz de Cristo, quer na Escritura, quer também no serviço aos mais pobres.

Nesta Semana das Vocações, dizia o Papa Francisco, que «O recolhimento permite compreender que todos podemos ser peregrinos de esperança, se fizermos da nossa vida um dom, especialmente ao serviço daqueles que habitam as periferias materiais e existenciais do mundo.» De facto, a oração nunca nos tira do mundo. Como ele continua: «Quem se põe a escutar Deus que chama não pode ignorar o grito de tantos irmãos e irmãs que se sentem excluídos, feridos e abandonados. Cada vocação abre para a missão de ser presença de Cristo onde mais se sente necessidade de luz e consolação. Em particular, os fiéis leigos são chamados a ser “sal, luz e fermento” do Reino de Deus, através do empenho social e profissional.»

Caros irmãos, hoje, como sempre, a fé que nasce da escuta abre-nos aos outros. Viver a vocação é precisamente isto: viver animado pelo amor de Deus, mas atentos àqueles que nos rodeiam. E a nossa acção pode ser a da caridade visível, mas também a de ajudar as novas gerações a encontrarem o sentido da sua vida, que é precisamente a sua vocação, para que, nos altos e baixos da vida, a sua pedra de apoio seja sempre Jesus Cristo, o nosso Bom Pastor que nos guia.


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