DOMINGO VI DA PÁSCOA
L1: At 15, 1-2. 22-29; Sal 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L2: Ap 21, 10-14. 22-23 ou Ap 22, 12-14. 16-17. 20
Ev: Jo 14, 23-29 ou Jo 17, 20-26
Celebramos este VI Domingo da Páscoa como uma passagem para a vida nova que Jesus Cristo nos oferece. Mais uma vez, voltamo-nos para o Evangelho, que nos ilumina. Antes de mais, somos chamados a guardar a Palavra — protegê-la como algo precioso e vivê-la no nosso quotidiano. Trata-se de algo fundamental, não como um exercício de perfeccionismo, mas como um caminho para viver em sintonia com Deus. É assim que Jesus Se apresenta: como Aquele em quem podemos fazer morada. Este ponto é essencial: viver de modo a sermos morada de Deus.
Certamente que o somos com muitas imperfeições e limitações, mas o desejo de O querer viver é transformador — algo que só acontece em quem confia n’Ele. Como é fácil ceder à tentação de agir segundo outras lógicas que não as de Cristo, onde a medida do amor se dilui. Viver de Deus é, por isso, renunciar ao mal, afirmando que se crê — ou seja, que se entrega a vida pela fé cristã.
Mas este acolhimento do Verbo de Deus torna-nos também morada para os outros. Tornamo-nos atentos e portadores de uma paz muito diferente daquela que é alheada, preocupada apenas com a própria sobrevivência e bem-estar. A paz de Deus nasce do serviço e do acolhimento, mesmo quando há discórdias, mas que luta por uma comunhão maior. Não é o conflito que nos define, mas sim a comunhão.
Vemo-lo claramente na primeira leitura. Perante a discórdia na comunidade — entre os cristãos de origem judaica e os gentios — os apóstolos procuram um caminho de concórdia. Procuram o fundamento, não fogem ao problema, não impõem soluções apressadas ou autoritárias, mas escutam os outros. Estão atentos ao Espírito Santo, que Se apresenta como o intérprete que une e vence barreiras.
Sermos morada de Deus traduz-se, portanto, em não nos deixarmos encolher ou encostar, mas em afirmar que a paz gerada por Deus é maior do que quaisquer soluções imediatistas. Dá trabalho, mas é transformador, porque se acredita que a vida se fundamenta em algo muito maior.
Este apelo implica também uma ação no mundo — uma atenção especial aos mais pobres, aos que mais sofrem. Não nos podemos resignar a caminhos de separação, onde uns são os “bons” e outros os “maus”, mas devemos reconhecer que pertencemos todos uns aos outros. Isto aplica-se também à nossa sociedade.
O Papa Leão XIV, recentemente eleito, inspira-se em Leão XIII — o grande promotor da Doutrina Social da Igreja — e recorda-nos que somos todos corresponsáveis uns pelos outros. Devemos trabalhar pelo bem comum, fazer da nossa comunidade um espaço onde Deus habite, onde o Cordeiro seja a luz que ilumina o nosso caminho.

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