Saturday, 17 May 2025

"Beleza tão nova e tão antiga!" Santo Agostinho



 DOMINGO V DA PÁSCOA


L 1 At 14, 21b-27; Sl 144 (145), 8-9. 10-11. 12-13ab
L 2 Ap 21, 1-5a
Ev Jo 13, 31-33a. 34-35

 

As leituras deste domingo colocam-nos diante da novidade da fé em Jesus Cristo. O Senhor dá-nos um mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” Vejamos: amai-vos como Eu, e não apenas como a ti mesmo, como se dizia na formulação antiga. Trata-se, por isso, de algo verdadeiramente novo.

A medida é clara: Cristo vive para dar a vida pelos irmãos, para se colocar ao serviço, para levar ao extremo a sua entrega de amor, para ser o rosto da justiça e da misericórdia de Deus.

O foco no mandamento do Senhor está no “como”, e não numa simples imitação exterior da sua vida. Este “como” aponta para o espírito com que agimos, com que estamos no mundo e nas relações que vivemos, e na entrega que fazemos da nossa vida.

Assim, o “como” convida-nos a discernir, a compreender com que intenção agimos. Se olharmos bem, percebemos que precisamos sempre de purificar as nossas intenções, que nem sempre estão de acordo com o Evangelho.

Mas este “como” também nos abre à missão. Podemos ver este amor novo em ação no Livro dos Atos dos Apóstolos, na forma como Paulo e Barnabé vivem a sua entrega, com um estilo de vida marcado pela novidade do Evangelho.

  1. A saída de si mesmos: partem sem saber exatamente como as coisas irão correr. Há risco, mas também a confiança na novidade da fé anunciada e no cuidado de levar a pessoa de Cristo.
  2. As dificuldades fazem parte da missão – não são mero azar. Estas dificuldades podem ser as da nossa vida pessoal, do ambiente em que nos encontramos, das incompreensões ou até da maldade. Mas para todas permanece a fé, o apoio que encontramos em Cristo, e a certeza de que nos espera sempre uma pátria maior.
  3. Na missão, as pessoas não são descartáveis nem meros clientes. O que se anuncia é a Boa Nova, procurando-se quem possa assumir o cuidado da comunidade. Esta é a missão dos anciãos, dos presbyteroi, que asseguram a continuidade do cuidado da fé. Uns anunciam, outros acompanham, e todos têm lugar na Igreja. Também hoje precisamos desta diversidade de dons e missões – todos cabem na Igreja.
  4. A vida de oração: os apóstolos e a Igreja não vivem apenas da sua criatividade. Precisam de espaço e tempo para escutar e rezar, para dar lugar Àquele que é o verdadeiro anunciador – o Espírito Santo, que anima a Igreja e move os corações.
  5. O amor fraterno e o sentido de pertença: a Igreja é o lugar onde pertencemos – nem sempre num sentido físico, mas sobretudo pelo sinal da cruz de Cristo que nos salvou. Aqui vemos como a missão une os irmãos em Cristo, que partilham a vida e dão graças por poderem participar na obra de Deus.

Este tempo de graça é-nos dado viver hoje, quando vemos tantos irmãos a atravessarem dificuldades – sejam elas temporais, como a saúde ou as questões económicas, ou espirituais, como a solidão ou a falta de sentido. Para todas elas é chamada a fé, a nossa presença, o nosso compromisso de amar como Cristo nos amou.

 

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