DOMINGO V DA PÁSCOA
L 1 At 14, 21b-27; Sl 144 (145), 8-9. 10-11. 12-13ab
L 2 Ap 21, 1-5a
Ev Jo 13, 31-33a. 34-35
As leituras
deste domingo colocam-nos diante da novidade da fé em Jesus Cristo. O Senhor
dá-nos um mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” Vejamos:
amai-vos como Eu, e não apenas como a ti mesmo, como se dizia na
formulação antiga. Trata-se, por isso, de algo verdadeiramente novo.
A medida é
clara: Cristo vive para dar a vida pelos irmãos, para se colocar ao serviço,
para levar ao extremo a sua entrega de amor, para ser o rosto da justiça e da
misericórdia de Deus.
O foco no
mandamento do Senhor está no “como”, e não numa simples imitação
exterior da sua vida. Este “como” aponta para o espírito com que agimos,
com que estamos no mundo e nas relações que vivemos, e na entrega que fazemos
da nossa vida.
Assim, o “como”
convida-nos a discernir, a compreender com que intenção agimos. Se olharmos
bem, percebemos que precisamos sempre de purificar as nossas intenções, que nem
sempre estão de acordo com o Evangelho.
Mas este “como”
também nos abre à missão. Podemos ver este amor novo em ação no Livro dos Atos
dos Apóstolos, na forma como Paulo e Barnabé vivem a sua entrega, com um estilo
de vida marcado pela novidade do Evangelho.
- A saída de si mesmos: partem sem saber exatamente
como as coisas irão correr. Há risco, mas também a confiança na novidade
da fé anunciada e no cuidado de levar a pessoa de Cristo.
- As dificuldades fazem parte da
missão – não
são mero azar. Estas dificuldades podem ser as da nossa vida pessoal, do
ambiente em que nos encontramos, das incompreensões ou até da maldade. Mas
para todas permanece a fé, o apoio que encontramos em Cristo, e a certeza
de que nos espera sempre uma pátria maior.
- Na missão, as pessoas não são
descartáveis nem meros clientes. O que se anuncia é a Boa Nova, procurando-se
quem possa assumir o cuidado da comunidade. Esta é a missão dos anciãos,
dos presbyteroi, que asseguram a continuidade do cuidado da fé. Uns
anunciam, outros acompanham, e todos têm lugar na Igreja. Também hoje
precisamos desta diversidade de dons e missões – todos cabem na Igreja.
- A vida de oração: os apóstolos e a Igreja não
vivem apenas da sua criatividade. Precisam de espaço e tempo para escutar
e rezar, para dar lugar Àquele que é o verdadeiro anunciador – o Espírito
Santo, que anima a Igreja e move os corações.
- O amor fraterno e o sentido de
pertença: a
Igreja é o lugar onde pertencemos – nem sempre num sentido físico, mas
sobretudo pelo sinal da cruz de Cristo que nos salvou. Aqui vemos como a
missão une os irmãos em Cristo, que partilham a vida e dão graças por
poderem participar na obra de Deus.
Este tempo
de graça é-nos dado viver hoje, quando vemos tantos irmãos a atravessarem
dificuldades – sejam elas temporais, como a saúde ou as questões económicas, ou
espirituais, como a solidão ou a falta de sentido. Para todas elas é chamada a
fé, a nossa presença, o nosso compromisso de amar como Cristo nos amou.

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