DOMINGO III DA PÁSCOA
L1: At 5, 27b-32. 40b-41; Sal 29 (30), 2 e 4. 5-6. 11-12a e 13b
L2: Ap 5, 11-14
Ev: Jo 21, 1-19 ou Jo 21, 1-14
As leituras deste Domingo mostram-nos como vive a Igreja depois da experiência do Ressuscitado. Os discípulos aparecem profundamente transformados — não parecem os mesmos: antes tímidos e inseguros, agora assumem um papel de destaque. Não por mérito próprio, mas porque foram revestidos da força do Alto, por dom do Espírito Santo. A sua vida anuncia Jesus com simplicidade e verdade, porque está marcada por Ele. Se os olharmos a contraluz, vemos que já não vivem por si mesmos, mas por Cristo.
Nesta transformação vemos a força da Páscoa: passaram de uma vida feita de encontros e conversas com Jesus a uma vida nova, na qual é o próprio Cristo que os sustenta e envia. E eles entregam-se com generosidade, em Seu nome. Aos Apóstolos é confiado o anúncio do arrependimento, como nos profetas, mas também algo mais profundo: o perdão dos pecados, que só Deus pode conceder. Cristo confia-lhes essa missão, a qual é entregue à Igreja. E todos nós o podemos receber como sinal da misericórdia. O perdão dos pecados não é algo simplista: é permitir que, onde existe destruição, mal ou até morte na nossa vida, sejamos resgatados por Deus.
Vivemos este perdão porque Jesus é agora o novo Cordeiro. Não é apenas Aquele que se entregou uma vez, mas Aquele que continua presente no meio de nós, sustentando a Igreja e alimentando-nos com a Sua vida. Por isso, a Igreja é santa e pecadora: pecadora, porque nós estamos nela; santa, porque Deus habita connosco e vai na nossa barca.
O Evangelho mostra-nos como esta missão dos Apóstolos não começa de forma automática. Eles vão pescar durante a noite, sem Jesus no barco, e nada conseguem. Só quando escutam a voz do Mestre — agora ressuscitado — as redes se enchem. Isto é imagem da Igreja: só quando é habitada por Cristo pode tocar verdadeiramente o coração dos homens.
Depois, encontramos o belo diálogo de amor entre Cristo e Pedro. Pedro, que O negara, é agora reconciliado. Faz a experiência da vocação como perdão e envio. Ama Cristo, embora o seu amor seja frágil — mas o amor de Deus por ele é sempre maior. Também nós, como Pedro, fazemos essa experiência: somos amados apesar das nossas quedas. Jesus Cristo ceia connosco na Eucaristia e envia-nos sempre apoiados nesse perdão.
Neste tempo em que vivemos a sede vacante, pedimos ao Senhor que nos conceda um Papa segundo o Seu coração — alguém que nos ajude a reconhecer que pertencemos ao rebanho de Cristo. Não somos todos iguais, mas cada um tem o seu lugar e pode exercer um papel importante ao serviço de todos.
A vocação, por isso, não se limita à vida religiosa ou sacerdotal. É uma realidade de todos. Cada pessoa, na sua vida concreta, é chamada a amar a Deus e ao próximo, a partir do lugar onde está. Pedro é enviado, não porque seja especial por si mesmo, mas para cuidar de todos, à imagem de Cristo. Também a nossa vocação, seja ela qual for, é um chamamento a esse cuidado e amor.

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