Friday, 10 October 2025

O amor de Deus dirige-se a toda a humanidade



DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM

Verde – Ofício do domingo (Semana IV do Saltério). Te Deum.
+ Missa própria, Glória, Credo, pf. dominical.

L 1 2Rs 5, 14-17; Sl 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4
L 2 2Tm 2, 8-13
Ev Lc 17, 11-19 


Celebramos este domingo com a liturgia da Palavra que nos apresenta como cenário de fundo a cura da lepra.
Para compreendermos melhor o alcance deste texto, é bom recordar o que significava esta doença no tempo bíblico.
A lepra, favorecida por más condições de higiene, implicava o afastamento social de quem a sofria. O livro do Levítico (13, 45-46) descreve como o leproso devia andar com roupa andrajosa, rasgada, e gritar “Impuro! Impuro!”, para que ninguém se aproximasse dele — a não ser outros leprosos.

De certo modo, podemos lembrar o que vivemos durante o isolamento social da pandemia: o medo do contágio, a solidão, o afastamento humano. Assim era a vida dos leprosos — uma doença que desfigurava o corpo e também isolava o coração.
E, ainda hoje, há quem viva marcado pela lepra em várias partes do mundo — uma ferida física, mas também símbolo de tantas exclusões humanas.

A Palavra de Deus, porém, abre-nos três caminhos de reflexão para a nossa vida de fé.


1. O renascimento espiritual

Na primeira leitura, encontramos o sírio Naamã, curado ao obedecer à palavra do profeta Eliseu e ao banhar-se nas águas do Jordão.
A sua cura é sinal de um renascimento interior, fruto da confiança e da obediência.
Também nós fomos mergulhados nas águas do Batismo — talvez ainda em crianças —, mas esse sacramento continua a ser a nossa fonte de vida nova.
O Batismo não pertence ao passado: é o sinal de que vivemos unidos a Cristo e à Sua cruz.
Como Naamã, somos convidados a reconhecer que só a Deus queremos servir, com todo o coração e com toda a vida.


2. Pedir e agradecer

O Evangelho mostra-nos dez leprosos que pedem a Jesus que os cure. Jesus não os cura de imediato; envia-os a caminho.
E é no caminho que a cura acontece. Assim também é a nossa vida: a cura das nossas feridas, das nossas relações, dos nossos projetos, é sempre um processo de confiança e de caminhada.
A graça de Cristo age, mas pede a nossa colaboração e a nossa abertura.
E depois vem a gratidão — porque só um dos dez volta para agradecer.
Quantas vezes também nós recebemos dons e bênçãos, mas esquecemos de agradecer!
A fé cresce na medida em que somos capazes de reconhecer o amor de Deus nas pequenas e grandes coisas.


3. O amor que derruba separações

Por fim, este Evangelho convida-nos a olhar para todos com compaixão.
Diante de Deus, todos precisamos de ser curados. Por isso, não devemos cavar novas divisões entre “bons” e “maus”, nem deixar crescer a indiferença.
A fé verdadeira gera pontes, não muros.

Como recordou o Papa Leão XIV, no documento Dilexi te publicado esta semana:

“O amor cristão supera todas as barreiras, aproxima os que estão distantes, une os estranhos, torna familiares os inimigos, atravessa abismos humanamente insuperáveis, entra nos meandros mais recônditos da sociedade. Por sua natureza, o amor cristão é profético, realiza milagres, não tem limites: é para o impossível. O amor é sobretudo uma forma de conceber a vida, um modo de a viver. Assim, uma Igreja que não coloca limites ao amor, que não conhece inimigos a combater, mas apenas homens e mulheres a amar, é a Igreja de que o mundo hoje precisa.” (n.º 120)



Deixemo-nos interpelar por esta Palavra e pelo apelo do Santo Padre.
Que também nós, curados e reconciliados por Cristo, saibamos agradecer, servir e amar sem limites, tornando-nos sinais vivos da misericórdia de Deus no mundo.



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