DOMINGO IV DO ADVENTO
L 1 Is 7, 10-14; Sl 23 (24), 1-2. 3-4ab. 5-6
L 2 Rm 1, 1-7
Ev Mt 1, 18-24
À medida que nos aproximamos do Natal, a liturgia vai afinando o nosso olhar e o nosso coração para aquilo que é essencial. Neste IV Domingo do Advento, Maria surge como figura central. É pelo seu sim que Deus entra na história de forma nova. Não através da força, nem do espetáculo, mas através da confiança e da entrega.
O sim de Maria não é apenas uma palavra bonita ou piedosa. É um sim que envolve a sua vida inteira. Ao dizer sim a Deus, Maria abre espaço para que Deus esteja no meio de nós. Ela torna-se sinal vivo de que Deus não fica distante, mas vem habitar a nossa humanidade. Pelo sim de Maria, Deus dá-Se a nós e faz-Se próximo em Jesus Cristo.
Mas este Evangelho não fala apenas do sim de Maria. Fala também do sim de José, um sim mais silencioso, talvez menos visível, mas profundamente exigente. José tinha os seus sonhos, os seus projetos, a sua vida bem encaminhada. E, de repente, vê-se confrontado com algo que não compreende: a gravidez de Maria.
Se José fosse apenas um homem da lei, da norma fria e cega, poderia ter excluído Maria, afastado-se, protegido apenas a sua honra. Mas o Evangelho diz-nos que José era um homem justo. E esta justiça não é uma justiça dura, mas uma justiça que já aponta para o coração do Novo Testamento. Para José, mais importantes do que a letra da lei são a pessoa concreta e a fidelidade a Deus.
O sim de José é um sim que se faz confiança. Ele obedece a Deus, entrega-se ao Seu desígnio e aceita proteger o Menino e a sua Mãe. José ensina-nos que a verdadeira justiça de Deus passa pela misericórdia, pelo cuidado e pela responsabilidade assumida.
O sim a Deus nunca é apenas da boca para fora. Não é uma palavra dita num momento bonito ou numa celebração especial. O sim a Deus é o sim de uma vida que se deixa transformar, que aprende a confiar, que se entrega mesmo quando não entende tudo.
Às portas do Natal, somos convidados a acolher este Deus que vem. E talvez o melhor modo de O acolher seja este: aprender com Maria e com José a dizer um sim simples, verdadeiro e quotidiano, que permita a Deus nascer também na nossa vida. Um sim grande e largo, à maneira de Deus, que como nos recorda São Paulo se estende aos gentios, ou seja, aos que estão fora.
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