DOMINGO dentro da Oitava
do Natal
Sagrada Família de Jesus, Maria e José – FESTA
L 1 Sir 3, 3-7. 14-17a (gr. 2-6. 12-14); Sl 127 (128), 1-2.
3. 4-5
L 2 Cl 3, 12-21
Ev Mt 2, 13-15. 19-23
Celebrar o mistério do Natal é celebrar o
facto de que o nosso Deus assume toda a nossa humanidade, em todos os seus
aspetos, para a elevar e redimir. Assim o vemos na vida da Sagrada Família. E
todos precisamos de uma família para crescer, de um lugar onde encontrar
segurança e educação, a qual influencia profundamente a nossa forma de estar e
de nos relacionarmos.
1. O primeiro ponto que podemos identificar
na vida da Sagrada Família é a disponibilidade à voz de Deus. Toda a família
vive do sim a Deus e é com esta certeza que orienta a sua vida. Víamos
isso no sim de Maria e de José, e voltamos a vê-lo novamente no sim
de José diante da perseguição. Embora biblicamente existam outros sentidos para
a ida ao Egito — de onde tinha vindo o povo de Deus — e o regresso nos aponte
para a libertação trazida pelo novo Messias, José apresenta-se como homem do
silêncio e do serviço: atento, capaz de enfrentar as dificuldades com um
espírito ousado, mas confiante. É também para nós um momento de nos
perguntarmos que lugar damos ao chamamento e ao amor de Deus na nossa vida.
2. A vida fundada no amor de Deus — amor que
liberta e perdoa (e não aprisiona nem maltrata) — traduz-se no reconhecimento
de que é o amor que une as famílias e lhes dá força para se manterem unidas.
Toda a liturgia do dia de hoje nos apresenta a família na lógica de um espaço
de pertença, mais ou menos alargado, para nos falar do honrar pai e mãe, do
cuidar, dos sentimentos de misericórdia, bondade e humildade, da capacidade de
dar suporte e de perdoar. É a tradução da caridade derramada nos nossos
corações, onde construir e viver em família não é apenas uma necessidade
biológica de proteção, mas o reconhecimento do nosso desejo profundo de amor,
de comunhão e de crescimento.
3. Atualmente, este desejo não diminuiu no
nosso tempo, embora tenham diminuído o número de casamentos e aumentado a festa
quando estes são realizados. Mas isso não abafa o desejo permanente de ser
acolhido, conhecido e amado, mesmo no meio de tantas dificuldades como vemos
nos nossos dias. Precisamos de ajudar os jovens a crescer na arte do amor, como
nos aponta São Paulo: a descobrirem o amor de Deus e a perceberem que o amor
não instrumentaliza nem usa o outro como meio. Pelo contrário, no amor conjugal
há um dar e um receber: todos precisamos de receber, mas o dar precisa de
crescer na liberdade. É no amor vivido dentro de uma casa que os filhos o
aprendem e depois o desenvolvem, também eles, como pessoas livres.
São Paulo VI dizia, em Nazaré, no ano de
1964, da Sagrada Família como um lugar de instrução para todos nós: lugar de
silêncio, para ouvir a Palavra de Deus e escutarmo-nos uns aos outros; lugar de
vida familiar, onde o amor é a célula da sociedade; e lugar de trabalho, que
sustenta aqueles que habitam uma casa e lhes dá dignidade, num tempo em que a
habitação enfrenta reais dificuldades. Que o nosso tempo continue a dignificar
a família e que, como Igreja, sejamos colaboradores para que as nossas famílias
encontrem espaço físico e espiritual para serem sinais vivos do amor de Deus na
sociedade.

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