DOMINGO III DO ADVENTO
L 1 Is 35, 1-6a. 10; Sl 145 (146), 7. 8-9a. 9bc-10
L 2 Tg 5, 7-10
Ev Mt 11, 2-11
O terceiro Domingo do Advento convida-nos à alegria. A liturgia fala-nos do «regresso», da esperança que se renova quando Deus vem ao encontro do seu povo. “Fortalecei as mãos fatigadas, robustecei os joelhos vacilantes”, ouvimos na primeira leitura. É uma mensagem de esperança no meio das dificuldades de um povo que vivia longe da sua terra e tudo parecia pesado. Assim, Deus vem salvar; melhor dizendo, vem revelar uma justiça que salva, que cura, que reconstrói o que está ferido.
1. Uma espera que não é fuga
Isaías lembra-nos que esperar não é arrastarmo-nos pelo mal, mas atravessarmos o sofrimento com esperança. O Advento não é tempo de ilusões, mas de vigilância: tempo de acreditar que, mesmo nas lutas e sombras, Deus vem. A alegria não nasce da ausência de problemas, mas da certeza de que Ele está próximo. A alegria vive da esperança derramada nos corações, onde não se deixa a força do mal ganhar a força definitiva.
2. João Batista diante de Jesus
No Evangelho, João Batista envia discípulos a perguntar: “És Tu Aquele que há de vir?” João, o grande profeta da conversão, sente-se provocado, até surpreendido, por Jesus. A imagem que João tinha de Deus talvez fosse mais marcada pelo juízo, pela força, até por uma certa urgência de purificação.
Mas Jesus responde mostrando as suas obras:
– os cegos veem,
– os coxos andam,
– os pobres recebem a Boa-Nova.
João Batista profetiza que o mal destrói, mas Jesus traz um acrescento: o Reino de Deus não chega com violência, mas com misericórdia. Não se impõe, mas cura. Não destrói, mas restaura.
Até João Batista — o maior entre os nascidos de mulher — precisa de ser evangelizado. Precisa de deixar que Jesus lhe purifique a imagem de Deus.
3. O rosto de Deus é misericórdia
Jesus revela que a justiça de Deus não é vingança. É fidelidade ao amor. É o desejo profundo de salvar. É uma justiça que reergue, que recupera, que dá nova vida. Por isso, a resposta de Jesus às dúvidas de João não é um discurso, mas gestos concretos de misericórdia.
E aqui está o ponto essencial para nós hoje: justiça e misericórdia não se opõem em Deus. São dois modos do mesmo amor.
Este Evangelho deixa-nos uma pergunta importante: que imagem temos nós de Deus?
– Será um Deus “bonacheirão”, que tudo desculpa sem levar a sério a verdade da vida?
– Ou um Deus “mandão”, que vigia, controla e castiga?
Estas imagens, muitas vezes herdadas, são insuficientes e precisam de conversão. Todos nós precisamos de crescer na verdadeira imagem de Deus, aquela que Jesus nos revela: um Deus de misericórdia e amor incondicional, que não desiste de ninguém, que julga salvando e salva curando. Trazemos em nós muitas imagens de Deus, mas algumas têm pouco a ver com o rosto de Deus que é Jesus Cristo, que reza e se confia a Deus, que perdoa e resgata e que dá a vida pela humanidade.
Que este Domingo da alegria nos ajude a deixar que Cristo purifique também em nós a imagem de Deus, para que possamos acolher o seu amor com confiança e transmiti-lo com autenticidade.

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