DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR
Celebramos a Páscoa de Cristo, da sua entrega, morte e ressurreição. Aqui se condensa todo o mistério da nossa fé, a qual assenta na presença viva entre nós do Homem-Deus. A Páscoa é o acontecimento fundamental para não ver no cristianismo apenas uma moral de bons costumes ou de referências a uns conhecimentos de Deus.
A Páscoa, já na tradição do Antigo Testamento, expressa a libertação do Povo da Escravidão do Egipto e na qual o sangue o Cordeiro é sinal de protecção e graça de Deus. Também para nós, a Páscoa é a experiência da libertação do pecado, entendido sim como escravidão a tudo aquilo que nos faz alhear da força criadora do amor, proveniente da força do amor.
Para nós, cristãos, o amor é um dom, porque o nosso Deus, em Jesus Cristo, nos assumiu primeiro, tomou sobre a sua cruz todas as dores da humanidade – as nossas também – e fê-las passar com Ele para poderem ser vividas na lógica do dom. Em Cristo, tudo se pode transformar em sinal de esperança, quando transformado pela vida da Páscoa, quando aceita morrer para si e se fazer frutificar para os outros. Assim, só aquilo que se entrega fica realmente nosso, porque é vivido na lógica do dom.
Todavia a Páscoa alarga e inaugura em Cristo uma nova forma de entendimento, algo desconhecido da primeira aliança. Agora Cristo assume-se como o novo cordeiro Pascal, como aquele que com a sua morte desce à mansão dos mortos, para fazer participar da sua vida os nossos primeiros pais. Nesta imagem, tão representada nos ícones orientais, está a nossa vocação à vida eterna, ao horizonte de que «nascemos e jamais morreremos» como dizia Chiara Petrillo. Era a certeza, que só nos pode ser comunicada pelo dom da fé, que permite que a vida seja realmente feita dom sem medo de se perder. Era a certeza dos primeiros cristãos; era a certeza, de todos os santos, que ao longo da história entregaram a sua vida como oferta de amor.
Hoje, tal como no tempo dos apóstolos, o anúncio da ressurreição de Jesus não é feito apenas por uma infusão etérea de uma suposta visão mística; esta acontece por meio de anunciadores que correm a dar a notícia: Maria Madalena, Pedro e o Discípulo amado. Todos correm a dar a notícia de que algo aconteceu. Mas é com o nascer do novo dia, em que Pedro seguindo o Discípulo Amado, que fez a experiência da Paixão, encontra o túmulo. E a experiência de ambos dentro do sepulcro é diferente: Pedro observa (theorei=observa por fora e formula hipóteses) e questiona-se sobre o que de facto se terá passado; João entra, vê por dentro dos sinais (eiden=vê a identidade) e acredita. Para nós cristãos, o anúncio da fé, precisa de uma fé que aceite toda a complexidade da experiência humana, vista como actualização da cruz do Senhor e aí perceber que a Graça de Deus pode realizar maravilhas. Precisa de ser em Igreja, na comunhão real de vida e de amor com os nossos próximos.
A vida nova que a Páscoa inaugura é um caminho que agora nos chama à humildade de nos comunicarmos e nos entregarmos. Que a Luz de Cristo seja sempre a nossa luz.

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