Sexta-feira Santa
Celebração da Paixão do Senhor
Eis a vida entregue como sacrifício de expiação! Ouvimos
estes textos e somos convidados a ver através da humanidade de Cristo a glória
do amor divino que aceita dar-se até ao fim. Nele não vemos agressão, nem
violência, nem ressentimento; só vemos a crueza de quem assumiu o peso da
mesquinhez humana e na qual tantas vezes também nós caímos com os nossos
corações de pedra.
Este é o tempo de Deus mostrar a sua glória, que em Seu Filho
nos dá e nos abre uma nova forma de vida. Dá-nos a graça, dá-nos a possibilidade
de ver como o Seu desejo por nós o faz suportar e absorver todo limite do mal,
para nos definitivamente redimir.
De facto, é novo o culto que aqui se inaugura. São João faz
questão de ligar a hora da morte de Cristo com a hora em que eram oferecidos os
sacrifícios no templo. Jesus é o novo cordeiro, o qual tira o pecado do mundo.
É Ele o novo caminho de acesso ao
Pai, é Ele o único caminho de acesso
ao Pai, que deseja fazer-nos viver como filhos no Filho.
Por isso, a cruz torna-se para nós caminho incontornável no
culto cristão como sinal eloquente de amor divino e de adoração. Nela está a
nossa salvação, o Cristo, que se identifica com o pecado para fazer de nós
justiça de Deus (2 Cor 5, 21). Daí que este instrumento de morte se torne para
nós cristãos sinal de vida e de glória.
A entrega de Cristo é agora chamada a ser acolhida na nossa
vida pela fé. A adoração da cruz não se torne
para nós apenas um gesto externo, mas imitemos o nosso salvador. Estejamos
dispostos a entregar a vida e não a guardar, descobrindo aí as raízes da nossa
esperança cristã. Somos convidados a unir a nossa cruz com a cruz do Senhor de
modo a descobrir a glória a que o Senhor nos chama. Ao contemplarmos a
humilhação de Cristo e a sua glorificação, também vejamos aí aqueles que “em
Cristo" são humilhados e por isso glorificados.
Esta nova forma de vida é também uma nova forma de
fecundidade. A Cruz é o caminho que nos faz doar a vida. Dizia Santa Teresa
Benedita da Cruz na Exaltação da cruz:
«[Se estás] unida a [Cristo], és omnipresente como Ele. Não podes ajudar aqui
ou ali como a médica, a enfermeira ou o sacerdote; mas com a força da cruz
podes estar em todas as frentes, em todos os lugares de aflição. O teu amor
misericordioso, amor do coração divino, leva-te a todas as partes onde se
derrama o seu precioso sangue, suavizante, santificante e salvador».
Abraçados à cruz de Cristo, não tenhamos medo de dar a vida
por amor na entrega de nós mesmos por amor de Deus e da humanidade, onde Deus nos
chamar.
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