Friday, 23 April 2021

Ser como o Bom Pastor: aprender a cuidar




DOMINGO IV DA PÁSCOA


L 1 At 4, 8-12; Sal 117 (118), 1 e 8-9. 21-23. 26 e 28cd e 29
L 2 1 Jo 3, 1-2
Ev Jo 10, 11-18

Este domingo, o IV do tempo da Páscoa, é conhecido como o do bom pastor. É também o dia de oração pelas vocações, especialmente as de consagração. 

A figura do Pastor é transversal à Sagrada Escritura. Facilmente vemos como Israel se identifica como o rebanho conduzido por Deus para a liberdade, dinamismo que atravessa toda a história até aos nossos dias, embora com matizes diferentes. 

O pastor na sagrada escritura não designava propriamente alguém ignorante ou incapaz; pelo contrário, o pastor era visto como o chefe, o lutador e o guerreiro que defende o seu rebanho (cf. 1 Sam 17, 34-37), mas também o companheiro que conhece individualmente as ovelhas do seu rebanho (cf. Prov 27, 23), e as leva aos braços quando é necessário. É da experiência do Povo bíblico que se estabelece a analogia destes com Deus. Todavia, o mesmo Povo, como testemunha o profeta Ezequiel, dá conta de como os seus pastores, os seus guias, são infiéis e se preocupam mais com o seu bem-estar e menos com a sorte daqueles que têm a missão de cuidar e proteger. 

Jesus coloca-se como o bom pastor. É sempre importante ter consciência da má fama que os pastores tinham, uma vez que não tinham um estilo de vida que lhes permitisse cumprir as exigências da lei mosaica, sendo desprezados por muitos. O relato do evangelho evidencia precisamente as notas que se tinham da figura do Pastor no Antigo Testamento: Jesus cuida, dá a vida, protege, e conhece as ovelhas; tudo isto, porque as ovelhas são suas! O mercenário apenas se preocupa com o seu ganho - e bem-estar? - e tudo o resto é subjugado a esta lógica. A isto acresce a lógica do cuidado de Jesus, que como porta, é o caminho essencial para aprender a liberdade e superar as escravidões; viver como filho de Deus, é aprender de Jesus a dar a vida e a se entregar. 

Cada pessoa é chamada a realizar a sua vocação, aprendendo a viver como filho de Deus, cuja felicidade maior está no acolhimento da fé e da entrega de vida. Este é o segredo da vocação; só vivemos uma vez - e é para sempre - e em cada dia a nossa existência ganha sentido quando vive do amor e para o amor, para aprender a cuidar e a fazer suscitar mais vida. A grande tentação é a de ficar como mercenário: agarrado ao bem-estar e às seguranças ilusórias de uma paz vazia, sem nunca entrar na lógica do Filho de Deus, alheado da verdadeira vida. 

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